As pessoas são os nós

Uma das boas razões porque devemos participar em eventos, com oradores ou facilitadores já nossos conhecidos das redes sociais, é podermos alargar a nossa perspectiva e conhecimento do trabalho dessas pessoas.

Eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Tim kastelle  na ECCI XII em Faro, a semana passada, depois de mais de um ano de conexão através do twitter (@timkastelle) e de leitura do seu blogue “Innovation Leadership Network”. Tim é a pessoa extraordinária que eu suspeitava ser e que confirmei nas nossas pequenas conversas durante o evento, onde a abertura, simplicidade e sensibilidade estavam bem representadas.

Na tarde do primeiro dia do evento eu escolhi participar em “Managing Networks to Improve Innovation”, e devo confessar que o fiz, mais com a intenção de conhecer Tim como pessoa, do que para avidamente absorver muita informação.

Esta era a intenção! O resultado foi muito além do que eu esperava porque a forma como o trabalho foi exposto e a dinâmica conseguida com os cerca de vinte participantes de muitos pontos do globo conduziram a uma profunda partilha de conceitos e metodologias.

Uma das bases fundamentais no trabalho de Tim Kastelle é, como ele próprio explicou, o contacto com o exterior, isto é com o espaço onde se desenvolve a acção. Em inovação o fundamental é executar as ideias e nós só conseguiremos fazê-lo se conhecermos e dominarmos o meio ambiente (redes de uma organização) onde essa execução vai acontecer, fazendo-o de forma a criar valor mas também tornando-a acessível a muita gente.

“A inovação acontece nas redes!”

Para Tim kastelle, se nós procuramos gerir a inovação dentro de uma organização (meio ambiente) é mais fácil ser eficaz se entendermos como funcionam as redes. Para isso é preciso fazer uma análise de como funcionam as redes e tentar entender como as pessoas se relacionam uma com as outras e de que modo se realiza a partilha de conhecimento entre elas.

Esta metodologia usada por Tim Kastelle não só permite detectar os fluxos de informação, como permite verificar se há pessoas que não tem conexões e a partir daí tentar estabelecer procedimentos para que possam ser melhoradas ou reformuladas. Esta análise parece-me ser também extremamente útil quando existem espaços físicos diferenciados e distantes onde o contacto físico das pessoas não existe e portanto necessita de uma compreensão mais facilitada pela observação dos mapas.

Quando mapeamos, através da informação recolhida por um ou vários questionários nós determinamos quem são as pessoas (nós) com mais conexões e em que direcção elas se estabelecem.

Tim Kastelle apresentou um mapa (uma rede de resolução de problemas) onde as pessoas são os nós (verdes de um local e vermelhos de outro) que mostra bem como podem funcionar estas redes e que apesar de serem uma ferramenta poderosa para análise não deixam de ser uma obra de arte.

Eu penso que esta metodologia pode levar-nos ainda a uma clarificação dos processos de comunicação, distinguindo os formais dos informais e qual a relevância de cada um deles na forma como as pessoas inovam. Tudo dependerá do tipo de perguntas a fazer, mas parece-me que o mapeamento dos fluxos de comunicação pode ajudar também na resolução de conflitos das equipas de inovação.

Será que há lugar a liderança informal dentro destes grupos de inovadores?

Até que ponto a tomada de decisão nestas redes é um aspecto puramente formal e consequente?

A partir da análise dos dados representados nos mapas nós podemos começar a levantar questões no sentido de perceber qual a participação real das pessoas nos projectos em que estão envolvidos ou a tentar perceber porque A ou B que eventualmente consideramos com talento especial para um projecto não faz parte desse mesmo projecto.

Será possível começar a pensar, quando falamos de inovação aberta, em mapear as conexões?

Até que ponto o mapeamento é útil na resolução de conflitos que impeçam o ritmo de execução desejado?

Se uma pessoa é um nó importante no processo de inovação, qual é o resultado provocado pelo seu desaparecimento da rede?

As conexões têm um custo para as organizações e parece ser fácil entender que uma boa gestão das redes não só permite o desenvolvimento de um clima de satisfação como facilita a mudança quando necessária dentro das organizações.

“Gerir a estrutura das redes leva muitas vezes a mudanças rápidas na performance.”

Obrigado Tim Kastelle por esta oportunidade de aprendizagem e de reflexão.

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