O resultado de um trabalho de colaboração 

Fiz parte de uma experiência extremamente gratificante no fim-de-semana passado, onde, durante 48 horas, participantes do Porto Sustainability Jam se envolveram na criação de um espaço de recreio (brincadeira) inovador e sustentável.

Por mais pequeno que seja um projecto ele pressupõe a existência de uma cultura na equipa de trabalho e a identificação da cultura do ecossistema onde se poderão implementar o produto ou serviço criados.

Os participantes, neste projecto, eram na sua maioria pessoas ligadas a design, mas a arquitectura, psicologia e comunicação audiovisual também estavam presentes, o que desde o início desencadeou uma certa vontade em cada um de nós de evidenciar as competências mais relevantes para o projecto.

Durante este período em que nos dispusemos a confrontar ideias, construir alianças e convergir para um resultado final, deparámo-nos, na minha opinião, com três momentos distintos:

A – Um primeiro momento onde a avaliação das nossas ideias não fazia sentido, porque se tratava de um processo divergente e onde todas as contribuições faziam sentido. Foi um momento inicial relativamente curto mas muito frutífero.

B- Um segundo momento onde procuramos encontrar um caminho e onde era preciso negociar e colaborar. Aqui, num período longo e controverso todas as chamadas “estrelas” tiveram que tomar consciência de que precisam da ajuda dos outros para poderem brilhar no céu.

Após longos períodos de círculos viciosos, caracterizados por alheamentos temporários e retornos precipitados ao ponto de partida foi necessário induzir alguma disciplina de agenda e passar do “falar sobre” ao “fazer com”, isto é, abandonar a retórica e convergir para o caminho da realização.                                                                                                                                   Foi durante este período que todo o projecto sofreu uma mudança radical que deu lugar ao produto e serviços propostos no final. Sobre a forma como tal aconteceu escreverei noutra altura.

                                                                                            C – O terceiro e último momento foi de facto extraordinário. Após a aceitação e compromisso de colaboração, toda a gente se empenhou no desenvolvimento do projecto.

Durante as últimas horas de vida do nosso projecto, assistimos a um ambiente de trabalho verdadeiramente colaborativo, onde cada um criava e pedia apoio, onde cada um motivava e utilizava o pensamento crítico, onde todos se identificavam como uma parte significativa de um projecto com valor e significado.

Neste final de “prova” foi bem evidenciado o princípio do progresso (ver Amabile) porque “de todas as coisas que podem impulsionar as emoções, motivação e percepções durante um dia de trabalho, o mais importante é fazer progressos no trabalho significativo. E quanto mais frequentemente as pessoas experimentam a sensação de progresso, mais provavelmente elas serão criativamente produtivos no longo prazo.”

A mais extraordinária demonstração de um trabalho sério e de colaboração foi, e eu fiquei surpreendido, a forma como todos arrumamos as instalações para entregar a quem as tinha cedido. Foi brilhante!

Um dos aspectos delicados neste tipo de trabalho, um desafio proposto ao nível de muitas cidades do nosso mundo, é lidar com o relógio. Nem sempre é fácil ter a noção do tempo que precisamos em cada momento e eventualmente isto pode levar à perda de alguma melhoria num ou noutro aspecto.

Por vezes é preciso fazer parar o tempo e ter tempo para não fazer nada! É preciso ter tempo para reflectir.

Foi com certeza o tempo investido, quando nos afastamos do espaço onde estávamos reunidos, que deu direcção às nossas vontades e que deu origem a toda a brincadeira que a partir daí se gerou. Foi como se estivéssemos a testar o resultado do nosso trabalho, isto é, “quanto mais brincamos, mais recebemos”.

E mais uma vez o tempo são as pessoas. Somos nós ou eles e elas quando queremos expor os nossos mais preciosos e elaborados conteúdos, mas não conseguimos prever como são as outras pessoas.

Esta é a minha leitura do que se passou:

Logo que o ambiente se tornou acolhedor e permitiu alguns devaneios por parte dos participantes, filtraram-se as intervenções com impurezas e passou-se para um outro assunto agendado. (não se podiam deixar resíduos de intervenções ou conversas inacabadas).

Arrumaram-se os conceitos juntamente com os exemplos de forma a permitir uma discussão posterior. Para evitar a aderência de comentários extemporâneos, em virtude da crescente redução de tempo, apontaram-se os passos seguintes.

O ambiente estava ser vigiado constantemente, pois as diferentes fases de trabalho, que são muito próximas umas das outras, podiam corresponder a utilizações diferentes. Por exemplo a criação do modelo de negócio podia ter interferências no descritivo do projecto.

Quando se atingiu o ponto desejado, agiu-se rapidamente e questionou-se o grupo. Acrescentamos algumas gotas de boa disposição para motivar de forma natural os participantes.

Quando o grupo começou a vibrar, tornou-se irreversível a brincadeira.

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