Hábitos a desenvolver para provocar a mudança

Eu não sei o que a maioria das pessoas imagina quando vê as crianças a brincar, mas eu vejo, muitas vezes, as crianças a imitar adultos usando objetos em miniatura que representam a realidade desses adultos.

São protótipos e servem para contar belíssimas histórias de um futuro que ainda parece promissor e onde a criatividade tem um lugar cativo.

Elas não lhes dão o mesmo uso que os seus pais e talvez por isso quase sempre se divertem mais do que estes. Contam histórias, acrescentam funções e resolvem problemas que apesar de fantásticos são muitas vezes símbolos de situações dramáticas.

Nestas ocasiões, as crianças utilizam processos de comunicação não muito estruturados e no entanto elas comunicam entre si de forma eficaz e compreendem profundamente as necessidades dos papéis que os seus brinquedos representam.

Para nós adultos, os protótipos normalmente são vistos com úteis para junto dos utilizadores testarmos (avaliar) as nossas hipóteses de solução mas também podem ser usados para percebermos melhor quais são de facto as necessidades reais dos utilizadores que procuramos observar.

Você também pode desenvolver protótipos ou criar situações específicas desenhados para ganhar empatia, sem testar de todo uma solução (ou mesmo ter uma solução em mente). Isso às vezes chama-se “empatia ativa” porque você não é um observador de fora, você está criando condições para trazer novas informações. Da mesma forma, que um protótipo de solução o ajuda a obter compreensão sobre o seu conceito, um protótipo de empatia ajuda a obter compreensão sobre a conceção espacial e mentalidades das pessoas sobre determinadas questões.”

Um protótipo de empatia faz libertar uma história cheia de necessidades não articuladas ou ocultas que nos permitem aprofundar os problemas existentes nos contextos específicos que estamos a abordar.

Ao compreender as escolhas que as pessoas fazem e os comportamentos com que se comprometem nós podemos identificar as necessidades das pessoas e criar soluções para elas.

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“Empatia é a ação de compreensão, estar consciente de, ser sensível a, e vicariamente, experimentar os sentimentos, pensamentos e experiência de outro, do passado ou presente sem ter os sentimentos, pensamentos e experiência totalmente comunicados de forma objetivamente explícita” – Webster

Os protótipos de empatia são frequentemente usados com maior aproveitamento quando pretendemos aprofundar uma determinada área no projeto que estamos a desenvolver.

Mas utilizar um protótipo par desenvolver empatia com os nossos futuros “clientes” requer alguma experiência e criação de alguns hábitos de trabalho:

1 – Desenvolver curiosidade acerca de pessoas estranhas ao mundo com que habitualmente nos identificam e onde vivemos.

2 – Desafiar preconceitos e descobrir semelhanças onde aparentemente só existem diferenças e lugares opostos.

3 – Calçar os sapatos dos outros e percorrer um caminho semelhante ao que ele teria que percorrer.

4 – Ouvir atentamente e estar sempre recetivo.

5 – Estar atenta à ação coletiva e às mudanças sociais.

6 – Desenvolver uma imaginação ambiciosa.

“Nós podemos cultivar a empatia ao longo da vida, diz Roman Krznaric — e usá-lo como uma força radical de transformação social.”

Para isso temos de contar também com as organizações que precisam de novas competências e de um novo estado de espírito que abrace a empatia, o pensamento integrativo, o otimismo, a experimentação e a colaboração.

A empatia é um combustível de alto rendimento que nos leva à realização de projetos com paixão e com propósito partilhado com todos os que interagem com a organização.

E para terminar:

“Aqui está a minha nova regra de ouro do protótipo: o protótipo tem que ser melhor (melhor qualidade de construção, interface mais rápida, melhor iluminação, seja qual for) que o produto final vai ser. Isso é o que as pessoas esperam de qualquer forma – veem o teu protótipo e tiram 20% para a realidade” – Seth Godin

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