A boa definição do problema é meio caminho para a solução

Tenho assistido a um crescente entusiasmo de empreendedorismo por todo o lado e felizmente que esta vaga de ações ainda está no seu início.

Contudo e infelizmente, cada vez mais as pessoas, principalmente os jovens empreendedores, tentam construir as suas vidas em volta das suas ideias em vez de procurarem resolver problemas.

Um problema é uma dificuldade de perceção, uma sensação de desconforto com a forma como as coisas são, ou uma discrepância entre o que alguém acredita que deve ser a situação e o que é, na realidade, a situação.”

Se há uma discrepância, porque é que ela existe?

Uma das razões porque as pessoas evitam identificar os problemas é a facilidade com que se podem descartar deles, ignorando-os. As pessoas com ideias podem sempre dizer que esse ou aquele problema não é deles aguardando um que se encaixe nas ideias (futuras soluções) que simpaticamente construíram.

As pessoas têm tendência a esperar que os outros identifiquem os problemas que elas possam resolver, em vez de tomarem a iniciativa de procurar ou antecipar problemas.

Muitas vezes estas pessoas, sem se aperceberem, acumulam problemas à espera de resolução, o que significa que a abordagem ao problema real e a sua identificação seja muitas vezes tardia.

Pelo contrário, para muitas outras pessoas o que importa é pensar que é capaz de descobrir um problema e de o identificar, abrindo caminho à criatividade e inovação.

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Identificar um problema é o primeiro passo essencial para desenharmos uma solução, mas precisamos de dar mais alguns passos até lá chegarmos.

Saber qual a frequência com que esse problema se manifesta, com que intensidade, em que circunstâncias ou contextos, etc. ajuda-nos a definir o problema. Importa portanto saber tudo o que é possível sobre o problema num dado momento e a razão por que ele existe.

Se de facto pretendemos uma definição clara de um problema não o conseguiremos sem recorrer à observação. A observação é fundamental na definição do problema pois diferencia, o que se diz que se faz do que realmente se faz.

Frequentemente quando procuramos seguir um determinado fluxo funcional para definir um problema não encontramos significado naquilo que nos é dito e mais uma vez a observação e as perguntas sistemáticas são esclarecedoras.

Nestas alturas a diversidade inerente a uma equipa interdisciplinar, quando observamos o ambiente onde supostamente se encontra um problema, facilita uma visão cruzada que permite apreciar as várias perspetivas de entender o problema incluindo a sua contextualização.

Mais, a impulsividade existente em nós para passar à solução do problema tem de ser refreada. A nossa ideia ainda tem de esperar para se candidatar a resolução do ano.

Ela só é verdadeiramente válida quando a definição do problema estiver concluída e isso é possível quando aquilo que nós dizemos for aquilo que nós pensamos ou pretendemos dizer.

Ter uma ideia, melhor, ter uma razoável quantidade de ideias, muitas vezes parece frustrante, porque o ímpeto de as querer colocar em ação é travado pela definição do problema.

Também por essa razão a definição do problema ajuda a refinar as nossas ideias, permitindo a rápida exclusão das propostas concebidas sem respostas aos porquês e facilitando a contribuição de novas lentes de observação. Na maior parte dos casos quanto mais cedo se falha mais rápido é o sucesso porque não se utiliza tempo à procura de pequenas melhorias.

Uma equipa de trabalho interdisciplinar que identifica um problema e consegue defini-lo corretamente passa a ser detentora de um conhecimento mais abrangente e facilitador da resolução de problemas.

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