Inverter o impulso

Um sistema social é um conjunto complexo de relações humanas que interagem de muitas maneiras. Numa organização, o sistema social inclui todas as pessoas que nela trabalham, os seus parceiros, clientes e outros organismos exteriores, bem como os relacionamentos entre todos.

Uma organização e o seu meio ambiente são uma fonte prodigiosa de problemas aguardando a sua definição para poderem ser resolvidos. Definir um problema baseados na evidência das observações é um elemento importante na resolução de problemas.

Uma organização tem de ser receptiva à colaboração e participação de todos os seus elementos e estar comprometida com as mudanças que chegam de fora.

É por isso que o comportamento de um membro do sistema tem influência, em maior ou menor grau no comportamento da organização e também por isso, os limites de um sistema social são impossíveis de determinar dadas as trocas geradas por todos os indivíduos ou grupos.

A cultura de uma organização, insere-se num sistema maior, que é a sociedade onde essa organização ou parte dela, desenvolve a sua actividade. Todos os membros da organização sofrem a sua influência.

Neumeir disse “O design está rapidamente a mudar-se de poster e torradeiras para a inclusão de processos, sistemas e organizações”.

Temos então de pensar em problemas e cultura de inovação nas organizações. Temos de pensar acerca de qual o impacto que uma maneira diferente de pensar pode produzir nas organizações.

As pessoas dependem da cultura, uma vez que esta, lhes dá a estabilidade, a segurança, a compreensão e a capacidade para responder a uma determinada situação.

E também parece ser verdade que as pessoas reagem à mudança porque temem a insegurança.

Isso aplica-se á mudança da estrutura organizacional e da cultura das organizações, da comunicação e fluxos e de estratégias de negócios onde a definição de um problema carece de uma arquitectura muito específica.

Os elementos de uma organização temem que o sistema se torne instável, receiam que a sua segurança seja posta em causa e não vão entender um novo processo nem saberão como responder a novas situações, quando forem alvo de uma nova abordagem.

Estamos a falar de design thinking.

“O grande design thinking resulta em funcionalmente e emocionalmente satisfazer soluções onde o valor emocional é gerado através da criação de significado. Em design o significado em grande parte vem de estética e assim eu estive a preocupar-me como pensar sobre estética, ao considerar o design das organizações.

Eu estive a pensar sobre isso até porque penso que sem uma componente estética as melhores mentes de design não irão aplicar-se para esses tipos de problemas e em parte por causa de uma frustração com as práticas de desenho organizacional que parece ser em grande parte sobre como arranjar caixas em um organograma.” – Tim Brown

Essa mudança não se traduz em observar e recolher informação sobre um consumidor do produto, mesmo que essa definição do problema seja centrada nas pessoas.

Trata-se de definir o problema ao nível dos comportamentos dos vários sistemas e das suas relações.

Ao olhar para uma organização fica um pequeno desafio ou um quadro de reflexão:

Qual é o desenvolvimento actual de uma organização, estrutura e design (organograma)?

Como é usado comportamento organizacional e quais tipos de personalidades envolvidas?

Quais são as vantagens e as desvantagens da estrutura existente e como é que isso afecta o comportamento das pessoas?

Quais são os factores-chave que contribuem para o sucesso (ou insucesso) da organização?

Qual é a cultura organizacional, que mudanças sofreu, quais as motivações e atitudes e qual o retrato do desempenho?

Quais são as competências chave na organização?

Empiricamente, o que nós pretendemos é, criar nas organizações uma cultura de pensar design. Mas nós sabemos, por exemplo, que as motivações no topo da hierarquia são frequentemente muito diferentes daquelas que existem em níveis inferiores, onde o que motiva as pessoas é fazer um trabalho em que acreditam.

Nós sabemos também, que as redes informais funcionam com líderes quase invisíveis, capazes de apoiar e incentivar.

Então o que precisamos fazer é criar um fluxo contínuo de criatividade, dentro dos colaboradores da organização e produzir inovações numa base integrada e sustentável.

Ao assumir uma visão integrada em negócios, as organizações crescem e as pessoas crescem também. É aí que o pensar design pode dar lugar a algo mais valioso que o lucro ou a produtividade, o bem-estar das pessoas e uma sociedade saudável.

“A solução? Inverta o impulso. Em vez de visualizar a empresa adquirida como filho iletrado, veja-o como um professor inspirado. Empresas menores são geralmente adquiridas de conhecimento profundo do domínio, foco especial ou paixão extrema. Ao minar a empresa adquirida para uma melhor compreensão dos seus factores de sucesso, ambas as culturas ganham e o casamento mais rapidamente pode suceder.” – Marty Neumeier – The Designful Company

O que será necessário para que esse casamento se realize?

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