A interdisciplinaridade aflorou!

 

@umairh: A mediocridade pergunta “É lucrativo?”. Primeiro tente perguntar: “Vale a pena? Isso é importante? É significativamente melhor?”

Ontem realizamos o 1º Service Design Drinks no Porto e sinto-me feliz por ter feito parte deste evento!

A Porto, a cidade onde nasci e vivi durante muitos anos, fica aqui tão perto, e nunca deixa de me surpreender. O Porto é cor, são as pessoas, as ruas, o rio e o mar, e algo mais que nos diz que estamos em casa.

Ontem um grupo largo de pessoas, ilustres representantes da diversidade, empresários, designers, estudantes, economistas, psicólogos, do Porto e de outras origens e diferentes no escalão etário, conversarem sobre “service design” enquanto saboreavam uma especialidade da casa ou apreciavam a sua bebida preferida para o momento.

Pretendíamos que as pessoas conversassem sobre o tema sem ter necessariamente que obter uma receita de um molho especial.

A dinâmica implementada foi simples. Elaboramos um conjunto de perguntas subordinadas ao tema “Service Design”, que estavam escritas em post-it (grande) e à medida que os nossos convidados iam entrando escolhiam uma das quatro cores disponíveis.

A dada altura pedimos a cada um que seleccionasse um dos presentes para lhe responder à pergunta que tinha escolhido. Repetimos esta actividade várias vezes fazendo com que as pessoas contactassem o maior número possível dos presentes.

Esta actividade não tem nada de extraordinário, contudo o que surpreendeu foi observar que a determinada altura o entusiasmo nas conversas era tão grande que optamos por deixar livremente correr a conversação.

Estava instalada a curiosidade! Estava ganha a aposta!

As pessoas, que na sua maioria não se conheciam umas às outras, conseguiram autonomamente criar vários painéis de discussão que continuaram para ale de quatro horas depois de terem entrado.

A interdisciplinaridade que se vivia naquela sala possibilitou a abordagem ao tema sob vários ângulos e as experiencias de cada um foram partilhadas de forma entusiástica.

Fica agora uma nota curiosa, talvez de alguma forma esperada e que se pode resumir ao interesse generalizado em saber como fazer convergir a linguagem de “service design” e de negócios!

Havia por um lado quem defendesse que as empresas não davam abertura suficiente para se desenvolver trabalho e por outro lado quem (empresários) procurasse entender o potencial do “service design” e como lidar com ele na perspectiva da empresa.

Esta tentativa de compreensão mútua deu os primeiros passos e é promissora. Por isso eu deixo aqui algumas das minhas reflexões.

Eu penso que por detrás de “service design” existe uma lógica dominante de serviços e um estado de espírito de “pensar design”.

Pensar design faz sentido quando falamos em acrescentar valor a um produto ou serviço e esse valor é percebido pelo utilizador ou consumidor.

Nas organizações sejam elas com fins lucrativos ou não existe uma combinação equilibrada de competências que quando postas em prática provocam um fluxo de criação de valor que beneficiará toda a gente. A montante da organização, dentro da organização e a jusante.

Quando falamos em pensar design nas empresas verificamos que há necessidade de uma aprendizagem de ambos os lados, designers e pessoas de negócios. Daí a preocupação existente, nas escolas, para o desenvolvimento de competências, detectadas como fracas ou muito fracas.

Essas competências referem-se a capacidades de interacção em equipas interdisciplinares e com consumidores ou pessoas de negócios.

Segundo Roger Martin, “as competências do design e as competências dos negócios tendem a convergir”. Para haver sucesso no futuro, as pessoas de negócios tem de ficar mais parecidos com designers, têm de melhorar a sua capacidade de visão do todo.

Ou como diz Neumeier, não podemos decidir entre uma e outra, temos que desenhar a via para a frente.

A diferença entre estes dois modos de fazer as coisas é significativa. O modo de decidir assume que as alternativas já existem (estudo de casos), mas decidir será difícil. O modo design assume que novas opções têm de ser imaginadas (usando o processo design), mas uma vez imaginadas, decidir será fácil.

A verdade é que, o sucesso no séc. XXI dependerá de encontrar a mistura correcta destes dois modos, mas muitas dessas pessoas de negócios temem o fracasso, têm aversão à imprevisibilidade e têm uma grande preocupação com o status.

Esta foi uma experiência no Porto que eu quis partilhar!

Obrigado a todos os que estiveram presentes em “Service Design Drinks Porto”!

 

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