A construção de uma experiência

Pensar como um designer pode transformar a maneira como se desenvolvem produtos, serviços, processos e até estratégia. Tim Brown

O processo de pensar design deve ser visto como um sistema de sobreposição de espaços, a inspiração, a ideação e a execução, e não uma sequência de passos ordenados. Pensar design é um estado de espírito que esta citação de Kyudo pode ajudar a compreender.

“Kyudo a prática de tiro com arco Zen, é uma forma de meditação em movimento – e uma arte marcial única. O foco da prática está em “limpar a mente”, em vez de pontaria. O alvo torna-se um espelho que reflete a qualidade de uma mente no momento da liberação da flecha.” 

Os problemas são oportunidades para inspiração que geram energia para a busca de soluções. É como o alvo que avistamos quando possuímos o arco e a flecha na mão.

A ideação é um processo de geração, desenvolvimento e teste de ideias. Assemelha-se a uma curva, que nós imaginamos, desenhada pelo trajeto da flecha.

Na execução visionamos todo o caminho desde o projeto até ao encontro com as pessoas. É a altura de libertar toda a nossa energia e deixar partir a flecha.

“Trabalhando com a precisão da forma, desenvolve-se um processo natural, através do qual o praticante tem a oportunidade de ver a mente mais clara. O alvo torna-se um espelho que reflete as qualidades do coração e da mente no momento da libertação da flecha.” –  www.zenko.org

De forma similar um pensador design reflete as emoções e as necessidades do consumidor / utilizador por força de um relacionamento natural que estabelece com o ecossistema onde se insere.

Como dizia Claudia Kotchka (P&G) “O pensamento design é simultaneamente um processo e uma mentalidade, e que começa sempre com o consumidor.”

Pensar design não é um exclusivo dos designers mas há algumas características no perfil dessas pessoas que importa salientar!

Uma delas é a empatia. Eles podem imaginar o mundo partir de múltiplas perspetivas com uma abordagem centrada nas pessoas e também imaginar soluções com base nas necessidades explícitas, não articuladas ou mesmo ocultas dessas pessoas. A observação dos pormenores do ambiente onde as pessoas coabitam tem um papel relevante na identificação dos problemas.

Para que todo a informação seja tratada de forma adequada à satisfação das necessidades das pessoas, os pensadores design usam o pensamento integrativo. Não basta recorrer aos processos analíticos para poder escolher entre as soluções possíveis existentes, é preciso identificar os aspetos salientes, mesmo que contraditórios, e construir uma opção que vá mais além das limitações existentes. Em vez de escolher entre A e B, constrói-se C.

No mesmo sentido, isto é, sendo uma potencial solução melhor do que as alternativas existentes, o otimismo dos pensadores design faz com que os desafios sejam vencidos, mesmo que isso implique a rutura com a inovação incremental e significa abraçar a disrupção. Muitas vezes é durante a experimentação que surgem as soluções disruptivas.

Hoje parece estar bem presente na nossa mente a ideia da complexidade crescente dos produtos, serviços e mesmo algumas experiências que nos são propostas. Para chegarmos a esse ponto foi necessário um trabalho que já não se compadece com a figura tradicional do inventor ou do génio criativo e solitário.

Hoje, o que nos é proposto resulta de um trabalho de colaboração entre várias pessoas representantes de diferentes disciplinas, muitas vezes originários de diversos pontos do globo, o que traz um colorido especial à soluções encontradas.

Engenheiros, psicólogos, designers, economistas, antropólogos, estc, encontram-se para colaborar e para encontrar, na  intersecção das suas ideias, propostas economicamente viáveis, tecnicamente exequíveis e desejadas pelas pessoas.

Não é de um dia para o outro que esta mudança se concretiza, tal como a qualidade da nossa mente em Kyudo, mas se imaginarmos um ambiente onde as ideias têm o aroma da brisa do mar, onde as janelas e as portas das organizações se abrem, quer para os consumidores quer para o pensamento design, então teremos um ambiente favorável a uma cultura de inovação.

No pensar design existe toda a dignidade necessária, para enfrentar os desafios apresentados pelos consumidores. Importa agora remover os obstáculos.

 

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