Desejável, tecnicamente possível e economicamente viável

 

“Eu frequentemente me vejo num estado simultâneo de desânimo e admiração deliciosa sobre o produto final de designers.” –

Associei esta afirmação de Don Norman a um dos grandes problemas ligados às ideias, à inovação e aos empreendedores e que é – ser capaz de criar um equilíbrio entre o desejável, o realizável e o economicamente viável. É muitas vezes um misto de emoções que acompanha as pessoas no caminho que uma ideia tem de percorrer até ser efectivamente um caso de trabalho feito.

O que causa esta mistura esta mistura de espanto e prazer?

Os designers são treinados como artesãos, sem qualquer conhecimento substancial das áreas de conteúdo em que fazem seu trabalho. O meu espanto vem da sua falta de compreensão e pela confiança com que eles proclamam soluções magistrais para os problemas do mundo. Eles frequentemente produzem soluções inovadoras e inteligentes, mas sem prova de que realmente abordaram as partes mais críticas do problema ou que as suas soluções realmente funcionam. Eles muitas vezes desconhecem que outros trabalharam com essas questões há décadas, que os problemas são profundos e profundos, e que nenhuma abordagem única, não importa o quão brilhante, de repente pode resolver todos os problemas.

Por outro lado, esta falta de conhecimento pode produzir reflexões profundas que levam a avanços na compreensão, daí a minha alegria. Ter muito conhecimento pode levar a seguir as pegadas falhadas daqueles que vos precederam.

Por que não começar com uma ampla gama de ideias sem restrições, em seguida, juntamente com os especialistas de som, refinar o resultado a ser tanto gracioso como eficaz?”

Muitas das pessoas que pretendem transformar a sua ideia num negócio por iniciativa própria pretendem fazê-lo no pressuposto de que dominam todos os aspectos do processo para além de estarem convictos de possuírem as competências.

A verdade no entanto é mais dura do que o sonho e requer muito trabalho e muita colaboração em ambientes de diversidade e de adversidade.

A abordagem das partes mais críticas de um problema e a verificação da funcionalidade das coisas são dois aspectos importantes referidos por Don Norman.

Contudo quando falamos em negócios é fundamental termos presente que “A inovação tem de acontecer no cruzamento do desejável, da viabilidade e da possibilidade. Estes três elementos formam as pernas de um banquinho proverbial chamado de “Isto vai funcionar no mundo”. Muitas iniciativas de inovação concentram-se em apenas um ou dois, se tanto em seu detrimento. Por exemplo, criar algo sem levar em conta a sua viabilidade no mundo não é diferente de projectar uma ponte sem levar em conta a existência da gravidade: ela pode funcionar, mas a probabilidade de ser um confiável e seguro meio de transporte vai ser muito reduzida. E embora possa ser tentador “realmente ser criativo”, ignorando as restrições, uma abordagem mais sábia é ver as restrições como libertadoras”. Diego Rodriguez

Esta preocupação de cruzar o desejável, com o que tecnicamente é realizável e economicamente viável recorda-me uma iniciativa que eu empreendi uns anos atrás, com um legado familiar na indústria dos cosméticos.

Eu possuía os produtos desejados e a capacidade técnica para os produzir, ideias novas algum capital e muito entusiasmo. Tudo corria serenamente (talvez demasiado) até surgirem constrangimentos e adversidades.

Nessa altura eu verifiquei o quanto a interdisciplinaridade e a colaboração são tão importantes quando falamos na implementação dos nossos projectos.

Hoje olhando para trás penso ser fácil identificar o que faltava e que Graham Hill de uma forma muito clara e cirúrgica chama à atenção, num comentário em “Starting up a Start-up. How to start a service design business?”:

“Começar um negócio traz consigo muitos desafios. Jess estabelece alguns dos muitos desafios humanos envolvidos em sua excelente resposta. Ele também mencionou – mas não deu mais detalhes sobre – talvez a coisa mais importante de tudo, ou seja, você tem uma opção viável de MODELO DE NEGÓCIO. A menos que você tenha um modelo de negócio viável, nenhuma quantidade de habilidades de vendedores, marketing, ou consultoria vai fazer o seu negócio levantar da terra.”

A falta de conhecimento pode produzir reflexões profundas, como diz Don Norman, mas também podem trazer insucesso, digo eu.

É certo que nenhuma abordagem única pode de repente resolver todos os problemas e por isso é bom lembrar:

“A criatividade e Pensar design não são nada sem um modelo de negócio para levar as ideias geradas para o mercado. E uma vontade de sair do edifício o mais rápido possível para testar as ideias.” – Graham Hill

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