Novos modelos de inovação

Thomas Sutton em Lift11 coloca a seguinte questão:

O que acontece se pararmos de tentar entender as necessidades dos consumidores, e começarmos a cultivar espaços vazios onde as pessoas podem inovar para si? Por outras palavras, abandonar o sonho de um perfeito processo de inovação científica, pelo qual os produtos ou serviços poderiam “satisfazer as necessidades não satisfeitas”.

No meu ponto de vista, vamos encontrar pelo menos duas situações distintas:

– Uma, aquela onde as pessoas não vão satisfazer as suas necessidades e vão seguir o princípio do prazer ou o caminho do uso e consumo não consciente de produtos e serviços, isto é inovar sem significado, como acontece com um grande número de invenções ou aplicações, ou não vão criar por não conseguirem articular as suas necessidades.

– A outra, as pessoas vão inovar ajustando a criação às suas reais necessidades sem terem de consumir ou adquirir irrelevância ou redundância.

Esta segunda via, mais restrita por exigir um conjunto de competências não generalizadas, pode surgir como a refinação ou o fato por medida que muitos indivíduos e empresas necessitam.

Por todo o mundo, Portugal incluído, já existem situações que se encaixam neste modelo e que eu gosto de chamar de extensibilidade. O princípio é simples, existe um produto ou serviço que é entregue e depois o usuário, sem alterar a base, constrói sobre ele o seu “unique” de acordo com as suas necessidades.

Nós podemos ver isso em software ou em automóveis, em projectos de turismo ou em embalagens de produtos no supermercado.

Estes processos, no entanto, carecem muitas vezes de co-criação dada a especificidade de alguns produtos ou serviços, mas permite a diversidade e a interdisciplinaridade sinónimos de riqueza nos resultados.

Permitir aos outros criar sobre o que nós criamos é amplificar a nossa criatividade e um pouco de nós.

O que é importante não é o que está dentro das coisas criadas, mas sim a situação que é criada, porque a dinâmica do sistema é o que está à sua volta e o que acrescenta valor.

Frequentemente aquilo que criamos ultrapassa a nossa necessidade ou a necessidade de outros e isso pode levar à redundância e para o evitar temos de fazer coincidir a criação com o nosso comportamento ou com o comportamento desejado.

Será que é possível o abandono total do controlo?

Que conflitos podem surgir da integração de design aberto (T. Sutton) com a co-criação?

Permitir que os usuários conduzam o design através de um diálogo construtivo é um aspecto importante na inovação aberta, mas será uma opção extensível a qualquer situação?

Quando pomos algo no mundo, estamos a estabelecer uma relação dinâmica entre as coisas e as pessoas, mas não necessariamente uma relação de boa vizinhança.

Pense nisto!

Eu gosto de pensar que, nas pessoas, existem necessidades não satisfeitas (conhecidas mas sem solução), necessidades não articuladas (sem solução por não haver definição do problema) e necessidades ocultas (problemas não identificados e não definidos). Se de facto existe diferença significativa entre elas, e eu acho que sim, a co-criação pode ser de facto o diálogo construtivo que é necessário.

O que pensa disto?

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