O conhecimento tácito e a confiança

A experiência acumulada ao longo da nossa vida é frequentemente uma alavanca para saltos significativos na resolução de problemas sejam eles desafios pessoais, em família ou numa organização.

Essa é uma experiência que não se pode ignorar nem se deve deitar fora sem conscientemente perceber a sua maior ou menor relevância na resolução de problemas.

Há momentos para aprender e há momentos para desaprender.

Eventualmente durante anos, ciclicamente, aprendemos e esquecemos, contudo há dois tipos de experiências que devíamos conciliar e utilizar no nosso dia-a-dia:

Uma experiência baseada na experimentação que proporciona divertimento e aprendizagem e uma experiência acumulada e traduzida em conhecimento tácito.

Conseguir aprender rapidamente num mundo em constante mudança e partilhar o conhecimento de forma a criar novo conhecimento e novas coisas ou ainda experienciar novas emoções, pode ser um objetivo pessoal perfeitamente realizável se o desejo e o querer que existe dentro de nós forem grandes.

Quando estamos conscientes da importância das nossas experiências fazemos com que os momentos que vivemos sejam ricos e pareçam não ter fim e isso faz com que as emoções vividas sejam fundamentais para mais tarde recordar essas experiências.

Eventualmente, não nos lembraremos de todos os pormenores de situações vividas mas facilmente nos recordamos o que sentimos.

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As memórias emocionais são poderosas e servem para orientar e informar-nos como podemos navegar o presente e preparar para o futuro. Se você já teve uma bebida ou um gosto de algo estragado, você sabe que a memória emocional o protege de fazer isso novamente.”

Nem todas as instâncias de conhecimento tácito são memórias emocionais mas muita informação, tacitamente armazenada em nós, está ligada à nossa tomada de decisão e à forma como ligamos pontas de conhecimento diversificado em questões de matéria e contexto.

Os momentos de decisão são momentos de precisão cirúrgica e são momentos em que é preciso sacudir a criatividade para tomar decisões. É uma ação que deve ser desenvolvida com a participação do conhecimento especializado na matéria em causa, mas que apela à colaboração de outras pessoas.

A gestão dessa informação, que nós fazemos ao longo de muitos embates com contentores de dados, pode facilitar a criação de novo conhecimento.

Mais ainda, se formos hábeis ao gerir a forma como as pessoas partilham e aplicam essa informação, podemos proporcionar saltos criativos interessantes. Isso porque, o conhecimento tácito que cada indivíduo possui e que é único, uma vez desbloqueado, pode ser uma grande contribuição criativa numa organização.

De facto muitas decisões, para serem tomadas, necessitam do apoio ou aprovação das pessoas com quem vivemos ou trabalhamos, pois são essas pessoas que são especialistas em determinado assunto e não nós, apesar de poder existir alguma tendência para sermos moldados em T.

 “Nós sabemos mais do que o que somos capazes de dizer” – Michael Polanyi

O conhecimento mais especializado é muitas vezes tácito e o intercâmbio desse conhecimento conduz à criatividade, e por isso é necessária uma compreensão dos antecedentes dos participantes nessas trocas, algo que só conseguimos adquirir através partilha.

O mesmo se passa em relação à confiança que depositamos nas pessoas que colaboram connosco. Para criar confiança, necessitamos de uma compreensão dos antecedentes dos nossos interlocutores, e para podermos partilhar ideias ou cocriarmos, vamos precisar de conhecer as intenções e os comportamentos observáveis das pessoas envolvidas na partilha.

O tipo de confiança envolvido no trabalho do conhecimento não é uma entidade estática qualquer presente ou ausente. Nem é confiança improvável que surge espontaneamente e, assim, precisamos aprender a criar confiança entre atores com diferentes objetivos e valores. Consequentemente, a confiança é uma conquista realizada, de um esforço concertado e altamente heterogêneo com atores, artefactos e outras representações de conhecimento.”

Quando as experiências são partilhadas há uma série de conexões que são identificadas e se transformam no ponto de partida para novas ideias.

 

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