Uma procura de equilíbrio

Aquilo que nós consideramos serem as nossas opiniões é de facto o resultado de anos a prestar atenção às informações que confirmam aquilo em que acreditamos, ignorando as informações que desafiam as nossas noções preconcebidas.

Somos, uns mais que outros, frutos de uma educação e aprendizagem baseada em escolhas entre o sim e o não e por isso nos inclinamos para algumas armadilhas na decisão quando há risco e recompensa.

O nosso cérebro engana-nos com aquilo que guarda. Ele sente-se atraído por longas distâncias quando elas significam grandes recompensas.

Quem toma decisões nas organizações deve estar consciente da importância de algumas tendências psicológicas que enfrenta na altura de decidir, principalmente quando avaliamos novas ideias ou a oportunidade de as implementar.

Nós sabemos que hoje, o medo e o pessimismo são dois aliados fortes, mas também sabemos que o excesso de otimismo nos conduz a precipitações muitas vezes extremamente onerosas.

Apesar de vivermos numa época em que a felicidade é a realização mais desejada, e ninguém admirar as pessoas que têm medo, não é fácil mantermos uma mente aberta à possibilidade do risco inerente à adoção de novas ideias.

Se por um lado é fácil ridicularizar qualquer um que aponta para os perigos futuros e classificá-los de pessimistas, por outro lado, imaginar um futuro sem obstáculos ou adversidades é um otimismo excessivo e perigoso.

É no equilíbrio entre o medo da mudança e a coragem para assumir o risco que se desenvolve a vida das nossas boas ideias, isto é, das nossas soluções.

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Para chegarmos a este equilíbrio, temos no entanto de previamente dar alguma atenção a nós próprios, desafiando os nossos pressupostos, reformulando os nossos problemas, imaginando o contrário do que achamos bom e contando histórias que convençam as pessoas e não só a nós.

As pessoas ao longo dos séculos desenvolveram uma capacidade biológica de medo, porque isso as ajudou a sobreviver, mas ao mesmo tempo mantem-nas resistentes à mudança e em alerta para muitos perigos que possam enfrentar.

Se por um lado esta capacidade de estar alerta é boa, por outro lado, ela impede-nos frequentemente de dar passos mais largos e promissores.

Nessas alturas em que nos lançamos para um futuro que esperamos seja promissor, muitos de nós, subestima as dificuldades que enfrenta e sobrestima a capacidade para responder a essas dificuldades.

“Enquanto ser otimista é geralmente aceite como sendo um benefício para viver uma vida de alta qualidade e talvez longa, demasiado otimismo pode ser um problema, especialmente no que diz respeito a questões financeiras.” – RICK NAUERT PHD

É importante que, todas as partes interessadas em desenvolver a inovação dentro das organizações, estejam alerta para a possibilidade de poderem estar sujeitos a estes desvios. É preciso contar com os riscos e os obstáculos que irão enfrentar ao liderar um projeto.

Na maioria das vezes as vitórias do otimismo resultam numa bolha especulativa e as vitórias do pessimismo resultam em grandes perdas de oportunidade.

É no equilíbrio entre as várias forças que se encontra o caminho do sucesso!

Ser capaz de não confundir a impulsividade com intuição é uma competência inerente aos conquistadores e aos vencedores.

A intuição não é mais de que uma resposta fruto da experiência e onde as decisões que tomamos não são fáceis de explicar.

A impulsividade é uma necessidade absoluta de obter respostas imediatas e que necessita de ser gerida com pensamento crítico.

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