Criatividade através da simplicidade

“Tornar o simples complicado é um lugar-comum, tornando o complicado simples, impressionantemente simples, isso é criatividade”. -Charles Mingus

O que significa simplicidade na criatividade?

Criar coisas complicadas não é a mesma coisa que criar complexidade e criar simplicidade não é criar o óbvio. Fazer com que as ideias tomem forma não tem necessariamente de ser de forma complicada nem complexa.

As complicações surgem das ferramentas difíceis de usar e dos projectos demasiado elaborados e repletos de interrogações e opções, sinónimo de uma oferta sem medida para agradar a gregos e troianos. Quando criamos alguma coisa ela não tem que satisfazer toda a gente nem ser a solução para uma gama muito alargada de problemas.

Se o nosso propósito é resolver um problema temos de o identificar e definir. A nossa solução deve resolver de forma simples o problema e isso pode acontecer se no verdadeiro problema for identificada a fonte que lhe dá origem.

Nós atingimos o pico em criatividade não quando não temos nada mais para acrescentar, mas sim quando não temos mais nada a retirar.

Face a um problema nós devemos retirar da nossa análise tudo o que não faz parte do problema mas mantendo sempre o todo como imagem de fundo. Isto implica não nos agarrarmos em especulações que tornem tudo mais complicado e distractivo. Uma possível forma de separar o trigo do joio é reformular o problema de forma que ele seja compreensível para toda a gente uma vez que a resolução de problemas quase sempre passa por equipas interdisciplinares. Compreender o problema permiti-nos retirar-lhe a carga negativa e transformá-lo em desafio ou oportunidade.

Usar a criatividade e transformar problemas em desafios pode significar caminhar em direcção à simplicidade, isto é, procurar ser criativo através da simplicidade.

 “A maneira mais simples de alcançar a simplicidade é por meio da redução pensada.” Esta filosofia vai contra a abordagem de uma empresa típica de tecnologia, onde o objectivo é sempre actualizar e adicionar ao contrário de subtrair.  É verdade, para o consumidor pagar mais e receber menos desafia a sabedoria convencional e parece contradizer princípios económicos.  Mas a tecnologia simplificada não significa necessariamente menos funcionalidade.”

Pagar mais e receber menos pode desafiar a sabedoria convencional se o “mais” significar “número de coisas” ou “número de opções de escolha”. Mas se a nossa proposta for a entrega de novas experiências e diferentes pela intensidade e relevância o “menos” converte-se em “mais” e vice-versa.

Eis um bom exemplo:

“Com ênfase na simplicidade do velho mundo e utilizando apenas os ingredientes mais frescos, Pellegrino traz a sua própria marca especial de “panache” para a mesa de jantar: simplicidade sobre a complexidade, com apenas um traço de bravura.  Chef Carla Pellegrino, sem dúvida, é Bratalian para o núcleo.

(Panache é usado para descrever uma confiança arrojada de estilo, ou uma certa exuberância e coragem.)

Que é preciso coragem para a criar com simplicidade eu penso não haver dúvidas, principalmente quando a nossa criatividade é julgada pelos mais exigentes observadores.

Simplicidade não vende!  É verdade?

Quer comentar?

Share

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *