Com todos os sentidos

A partilha do conhecimento pode ser feita utilizando duas abordagens diferentes. Por um lado o conhecimento explícito, que sendo o mais fácil de estruturar e registar é também por isso o mais utilizado, e por outro lado o conhecimento tácito, que quase sempre apresenta dificuldades na sua “gestão” ou partilha.

Conhecimento tácito é baseado na experiência prática e concreta do processo de trabalho. O conhecimento tácito não existe primeiro num  modo formalizado ou registado com precisão e, portanto, não deve ser entendido como uma coisa, um objeto ou um bem tangível. Porque o conhecimento tácito também é construído por experiências físicas e participações próprios, por empatia e mimicas, muitas vezes ocorre inconscientemente. Sentir com todos os sentidos e a capacidade de empatia são vitais aqui. Baseando-se na experiência e na capacidade de lidar com novos conhecimentos de experiências o conhecimento tácito excede o nível de ser informado.”

Por ser sentido com todos os sentidos, algumas vezes, poderão emergir preocupações ao partilhar o conhecimento que estão associadas à possível instabilidade que a partilha do conhecimento pode trazer, isto é, se essa atitude de partilha pode ou não prejudicar a atividade normal das pessoas nas organizações.

Algumas empresas tentam estabelecer uma gestão do conhecimento para fomentar os processos de criação de novos conhecimentos, e esses esforços devem procurar enquadrar também formas de lidar com o conhecimento tácito.

Contar histórias pode ser uma das formas, não só de transferir conhecimento mas também de criar um ambiente que não só não transtorna como traz equilíbrio e relaxamento.

O aprender fazendo, traz consigo, uma necessidade de integrar o conhecimento que surge por força da execução de tarefas e que não se encontram registados numa qualquer base de dados.

Em muitas das nossas atividades, encontramos o conhecimento, distribuído de acordo com os processos, o seu domínio ou as características institucionais ou culturais.

Esta distribuição corresponde a uma sistematização mais ou menos concêntrica dos níveis de conhecimento.

Ao tentarmos enquadrar o conhecimento explícito e tácito nesta distribuição, verificamos que o primeiro (aquele que se refere a “o quê”) é facilmente enquadrável enquanto o conhecimento tácito (“o como”) nos exige alguma habilidade.

Com as novas tecnologias nós conseguimos resolver grande parte dos nossos problemas do conhecimento explícito e com o contar histórias, podemos resolver as nossas necessidades de transferência conhecimento tácito.

Qualquer que seja a área de conhecimento que abordamos, desde os processos a cultural, o contar histórias vai-nos possibilitar e dinamizar a interação entre várias pessoas, o que normalmente não acontece quando analisamos ficheiros de uma base de dados.

Quanto maior a interação entre as pessoas numa empresa na transferência de conhecimento maior parece ser a possibilidade de criação de novo conhecimento.

A vantagem das narrativas, ao descrever passos já dados, é a fácil assimilação por mais de uma pessoa, mas para que isso seja eficaz, as histórias tem de ser bem contadas.

A história deve ter um contexto e focar algo que possa ser memorável. Vividas de uma forma imaginária, as histórias contém episódios relacionáveis e que se memorizam sem esforço.

Contar histórias é uma forma de partilhar valores e modos de atuação, mas não devem ser usadas como instrumentos de crítica.

Transformar o veículo de transmissão de conhecimento numa história, permite a sua replicação e consequente bem-estar dos contadores e dos ouvintes ou leitores.

Contar histórias não é um ato isolado, é colaboração entre pessoas e partilha de conhecimento.

 Acima de tudo é uma forma de criar um ambiente facilitador da aprendizagem e evita a perda do conhecimento de gerações.

Nós compreendemos que o nosso passado é responsável pelos nossos valores e pela intensidade com que fazemos uso deles, mas quase nunca sabemos explicar porque o fazemos.

De facto, ao contar ou ouvir uma história há sempre algumas perguntas em aberto:

Quem conta a história?

Quem ouve a história?

Onde estão a ouvir a história?

Quando é que estão a ouvir a história?

Porque estão a ouvir a história?

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