Uma nova história?

Muitas vezes as organizações são diferentes entre si não só porque o tipo de negócio difere mas também porque tendem a seguir caminhos diferentes no seu desenvolvimento e na forma como as pessoas são recrutadas, integradas e motivadas.

Os chamados departamentos de “Recursos Humanos” são muitas vezes responsáveis pelo dinamismo imprimido ao desenvolvimento das competências de uma organização e nem sempre aquilo que me parece ser um bom caminho, isto é, procurar criar equipas interdisciplinares, é conseguido.

A força de velhas tradições continua a provocar um excesso de perfis tradicionalmente analíticos.

A não existência deste excesso pressupõe naturalmente a procura de pessoas direcionadas para a criatividade embora isso na maior parte das organizações possa ainda não ser uma preocupação. Há naturalmente um caminho a percorrer que umas vezes passa pela disrupção e outras pela evolução.

“É como a natureza; natureza constrói estas coisas – folhas, flores, árvores, vacas – que são um resultado surpreendente com base em num tipo de objetivo conhecido, dependendo de suas tendências religiosas ou espirituais. Não há intenção e surpresa. A folha está tentando capturar muita luz solar tanto quanto possível, mas ela evolui de uma forma que é imprevisível. No entanto, é a folha perfeita.

Eu acho isso criativamente “energizante”. Mesmo quando utilizamos uma tecnologia relativamente sofisticada não há nenhum resultado inevitável. Os resultados em si ainda podem ser surpreendentes. Eu amo isso. É criativamente emocionante.” – Tim Brown

E é de facto criativamente emocionante começar a pensar no que fazem e farão as empresas com os chamados “Big Data”. Nós podemos ter acesso a um monte extraordinário de dados mas esse monte só ter algum valor quando lhe conseguirmos atribuir algum sentido.

Então, aí sim, a maior preocupação pode começar a surgir quando pretendemos encontrar pessoas para dar sentido a essa famosa torrente de dados e não encontramos “cientistas” disponíveis, e em vez disso, adivinha-se uma confusão de perfis eventualmente disponíveis para o preenchimento desses lugares.

Então quem deverão ser os novos leitores de dados?

“Precisamos de uma inclusão, neste diálogo, de artistas, de poetas, escritores — de pessoas que podem trazer um elemento humano para esta discussão. Porque eu acredito que este mundo de dados vai ser transformador para nós. – Trazendo os elementos humanos para os dados, creio que podemos levá-los a tremendos lugares. ” – Jer Thorp

Se não procurarmos essa inclusão corremos o risco de assistir ao retorno dos “superespecialistas”, ou pessoas que estão na organização para resolver os problemas relativos à sua disciplina mas são incapazes de colaborar para solucionar os problemas de outras disciplinas.

Hoje a internet permite-nos sair dessa concha de especialista eventualmente insensível. Hoje podemos conectar-nos com pessoas de outras áreas de trabalho, diferentes da nossa, e fazer uma mistura de opiniões, preferências, ideias ou histórias para dar sentido aos dados que vão chegando estruturados ou não.

Diferentes especialidades trarão diferentes propostas acerca dos dados.

Hoje é possível tratarmos os dados com criatividade, como se eles fossem uma corrente de água que se molda às paredes da nossa pesquisa ou ao leito do nosso projeto.

Tal como a corrente de um rio as organizações são dinâmicas e acima de tudo sustentadas em interações e não vivem da ação de um génio de interpretação dos dados. Elas desenvolvem o conhecimento através de interações energéticas e diversificadas, ou seja, através da criatividade.

A criatividade é orientada pela dinâmica Social.

Criatividade é o resultado de um conjunto de relacionamentos com forte dimensão social e emocional. Se trata de um ambiente colaborativo (e isto é onde HR pode desempenhar um papel significativo), daí a mudança de foco em direcção a cultura organizacional e transformação em organizações de design.” – Fabricant

Parece-me ser de facto o foco na cultura organizacional a grande aposta que as organizações devem fazer, reorganizando desde logo os serviços de Recursos Humanos para que estes sejam os facilitadores de colaboração e libertação do potencial existente, neste caso, para uma mais rica leitura e compreensão da torrente de dados.

A criatividade não é inata, pode ser aprendida e facilitada com ambientes favoráveis e reconhecimento adequado. É frequentemente uma questão de paciência!

Os responsáveis de Recursos Humanos devem procurar ser maestros e construir uma orquestra à dimensão da empresa, onde cada colaborador (músico) com o seu potencial possa realizar uma actuação merecedora de aplauso.

Tal como uma boa orquestra precisa de uma sala com boa acústica uma organização precisa de um ambiente libertador do potencial humano para produzir bons resultados.

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