As escolhas possíveis e a força das conexões

Observar como as pessoas reagem aos diferentes estímulos a que são sujeitas e compreender essas reações deveriam ser os primeiros passos para pensarmos em resolver os problemas que nos surgem pela frente.

Diferentes lentes ao observar e diferentes backgrounds ao compreender ajudam a encontrar soluções mais ricas, isto é, aplicáveis a um maior número de pessoas com problemas iguais ou idênticos.

A experiência humana não pode ser pensada e compreendida exclusivamente através de uma disciplina ou reduzida a uma perspetiva.

Na nossa vida encaramos problemas de múltiplas dimensões que requerem soluções de níveis diferenciados e frequentemente em casa ou nas organizações deparamo-nos com problemas cuja solução requer a participação de várias disciplinas.

Nem tudo à nossa volta precisa de metodologias interdisciplinares ou soluções muito elaboradas mas acontece que não aprendemos nada com alguém que vê os problemas exatamente da mesma maneira que nós os vemos.

O nosso comportamento está sujeito a múltiplos níveis de influência e consequentemente a uma variedade de perspetivas e a forma como construímos o nosso mapa cognitivo vai influenciar a nossa capacidade de resolver problemas ou criar valor.

O nosso mundo de soluções e criação de valor não se restringe a métricas verificáveis, pelo contrário ele estende-se até ao infinito, até ao mundo das possibilidades onde se devem incluir as soluções resultantes de combinações, conexões e contribuições.

Blue Pearl

Esse mundo das possibilidades é um mundo curioso onde há lugar a sentimentos diferentes sobre as coisas e que dá lugar a paixões.

Cada um de nós é um quadro de referência para tudo que acontece na nossa vida e portanto somos nós que construímos o futuro através das opções que criamos nos ambientes de complexidade onde estamos inseridos.

Mas se, de uma forma geral, o nosso caminho se resume a escolher o que nos é proposto não estamos a construir o futuro, estamos a aceitar tacitamente as escolhas dos outros.

“Como indivíduos, relacionamo-nos com os nossos complexos, incertos e nebulosos mundos não só através dos nossos sentidos, mas também através de formas de compreender o que os nossos sentidos significam. Estas ‘ maneiras de ver ‘ podem ser pensadas como ‘modelos mentais’, e as nossas mentes são preenchidas com eles, se estamos conscientes dele ou não. No atual ambiente complexo, os pensadores mais bem-sucedidos podem rapidamente e eficazmente abstrair as melhores qualidades de diferentes maneiras radicais de ver dos outros e aplicá-los sobre a situação atual. Ao fazer isso, esses pensadores desenvolver uma lente’ adaptável’ sobre o fenómeno desconcertante a que chamamos o mundo. – Mihnea Moldoveanu and Roger Martin

O mundo em que vivemos é um mundo complexo onde muitas das soluções que nos são apresentadas não são construídas com base nas nossas necessidades.

Por essa razão precisamos de criar competências de adaptação, isto é, precisamos de explorar a arte das possibilidades para atingir a máxima abrangência e profundidade de conhecimento. Essa exploração passa necessariamente pela nossa rede de contatos e pelo desenvolvimento de novas conexões.

Daí que quanto mais diversificadas forem as nossas conexões mais abrangente será o nosso campo de exploração o que faz com que a nossa capacidade de explicar muito com pouco e a nossa capacidade para ver e observar aumente significativamente.

Ao realçar as conexões entre as várias disciplinas representadas nas nossas redes, podemos explorar formas criativas de valor e significado e partilhar a nossa visão do mundo.

Isto é, criar coisas de mais valor através do estabelecimento de conexões, compreendendo profundamente as necessidades das pessoas implica também uma nova forma de pensar.

Implica pensar sobre aquilo que pensamos, para podermos  criar um conjunto de competências que nos permita abraçar também a complexidade sem ficarmos dependentes da exploração “selvagem” de quem fornece.

Da observação das conexões em determinado contexto podemos detetar que informação é relevante, decidir onde é importante reduzir ou cortar, compreender as relações causais das conexões, e fazer as escolhas finais.

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