Uma tendência para contar histórias

A curiosidade é o nosso principal aliado para compreender a complexidade que envolve muitos desafios com que nos deparamos hoje. Ela é um fator crucial de influência no comportamento humano, de forma positiva ou negativa, durante qualquer ciclo da sua vida.

A curiosidade é “uma tendência motivacional para reduzir a incerteza subjetiva através da geração de significado“.

A novidade, a ambiguidade e a complexidade bem como  a incerteza que estas situações geram nas pessoas são alavancas para o aparecimento de um comportamento exploratório cujo processo envolve três etapas sequenciais de acordo com Jason Piccone:

“Redução de incerteza. O indivíduo explora o objeto ou ambiente para dimensionar as propriedades básicas. Uma criança que pega num isqueiro pela primeira vez vai tocá-lo e examiná-lo cuidadosamente.

Incorporação. O indivíduo determina o uso do objeto. Uma criança pode descobrir que o isqueiro pode produzir uma chama ou que ele pode ser usado para esmagar aranhas (ou algo comparável).

Incorporação do jogo/superior. O indivíduo cria uma realidade com o objeto. O isqueiro pode tornar-se um navio de espaço que a criança executa ao redor com explodir coisas; ou menos felizmente, queimando as coisas.”

Tal como as crianças e ainda bem alguns de nós sentimos a curiosidade quando sentimos uma lacuna entre o que sabemos e o que não sabemos, por isso tudo volta à aprendizagem.

À nossa volta quase tudo parece complexo e contudo o que muitos de nós procura é a simplicidade.

Para muitos líderes e gestores a complexidade é vista como uma desafio e então eles procuram uma liderança criativa, reinventam relações com os colaboradores e com o exterior adotando uma abordagem centrada no cliente.

Parece um mundo de facto complexo quando se abordam as relações com pessoas num ambiente em constante desenvolvimento, mas há instrumentos capazes de descodificar essa complexidade e apresentá-la como simplicidade.

Por exemplo, as histórias são um componente importante da nas vendas de uma empresa. As histórias sempre foram uma parte fundamental na forma como qualquer modelo de negócio funciona, embora com estratégias diferentes.

A história ajuda-nos a reduzir a incerteza na medida em que permite a exploração do objeto ou ambiente de negócio para redimensionar as propriedades básicas das nossas propostas de valor.

A história facilita a incorporação dando uma perspetiva desejável e valorizável da utilidade e propósito do negócio.

A história permite a integração do modelo de negócio no jogo do ecossistema em que estamos inseridos. Nós criamos uma nova realidade.

Considere a história por trás de um dos modelos de negócio mais bem-sucedidos de todos os tempos: o de cheques de viagem. Durante as férias europeias em 1892, J.C. Fargo, Presidente da American Express, tinha dificuldade em traduzir as suas cartas de crédito em dinheiro. “No momento que eu saí do caminho batido,” ele disse no seu retorno, “eles não tinham mais uso do que o papel de embrulho muito molhado. Se o Presidente da American Express tem esse tipo de problema, pense só o que os viajantes comuns enfrentam. Algo tem que ser feito sobre isso.”1 O que a American Express fez foi criar cheque de viagem — e a partir daí essa inovação evoluiu para um modelo de negócios robusto com todos os elementos de uma boa história: precisamente delineado caracteres, motivações plausíveis e uma trama que gira sobre um insight sobre o valor.”

O objetivo de qualquer história é criar curiosidade suficiente para dar um passo em frente.

Curiosidade desempenha um papel crítico na capacidade inata do cérebro de preencher a lacuna entre o que sabemos e o que não sabemos, o que temos e o que desejamos, o que é possível e o que existe.

Contamos histórias porque queremos que essas histórias atinjam resultados.

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