Alguns erros na mudança de comportamentos

A criatividade é uma fonte de alegria e quando aplicado a novos desafios, pode levar a resultados de valor social elevado.

Quando queremos imaginar um mundo melhor a criatividade parece-nos essencial porque o nosso mundo sendo dinâmico e evolutivo, faz-nos procurar soluções para problemas emergentes, muitas vezes fruto de novas necessidades.

A criatividade pode fazer com que qualquer um de nós se mova do pensamento para a acção, mas deverá ser uma acção suportada em sustentabilidade, isto é, considerando o que vale a pena manter ao longo do tempo, e porque vale a pena fazer isso.

O que nós entendemos por sucesso, crescimento ou progresso deve corresponder à nossa preocupação com o nosso próprio futuro e com as gerações futuras. Essa preocupação passa por equacionar as conexões entre pessoas, entre as várias disciplinas de abordagem aos problemas, entre os vários sectores de actividade económica e entre os diferentes lugares distribuídos pelos hemisférios.

Quando nos permitimos ter alguns momentos de reflexão mais profunda, não tão orientada para o estado das coisas em si, mas sim para o estado dos valores, atitudes e comportamentos das pessoas, encontramos a raiz da solução da maior parte dos nossos problemas.

Nós precisamos de olhar primeiro para dentro antes de olharmos para fora!

Se nós pensarmos em desenvolvimento sustentável, sem o considerarmos uma moda passageira, teremos de reconhecer a necessidade de alterações nos valores humanos, atitudes e comportamentos. As situações caracterizadas pela fome ou pela pobreza não podem ser vistas como uma preocupação local que de vez em quando é ressarcida pela caridade de alguns.

Valores como a liberdade, igualdade ou sustentabilidade são ideais abstractas, que muitas vezes estão ligados a reacções emocionais e que traduzimos quase sempre através de: – “Existe” ou “Não existe”.

A Sociedade pós-industrial encontra-se cada vez mais num ponto de encontro de culturas, crenças e comportamentos.  Pareceres individuais e mais insulares são agora confrontados com muitas opiniões diferentes e o mundo nunca foi tão diverso ou visto como sendo tão diverso.  Uma única verdade inegável, de uma autoridade superior, dá forma a várias verdades em que as pessoas, como indivíduos e grupos, percorrem o caminho para sua própria verdade.”

Os nossos valores definem as nossas atitudes de referência e fornecem normas para avaliar o comportamento dos indivíduos e das sociedades, isto é as suas decisões e acções, que muitas vezes têm origem nas atitudes e valores subjacentes.

Ao tomarmos consciência dos valores importantes para a sustentabilidade e ao tomarmos consciência de qual o nosso comportamento em relação a problemas como o ambiente e o desenvolvimento, estamos a estabelecer uma relação de significado no desenvolvimento sustentável.

Contudo parece que ainda vivemos agarrados ao estado das coisas e à satisfação imediata dos nossos desejos sem nos preocuparmos com o verdadeiro significado do nosso bem-estar e o dos outros.

Citando Ezio Manzini do Politécnico de Milão.  “O sonho de bem-estar sonhado até agora por poucos não é sustentável para todos.  Temos de mudar.  Temos de aprender a viver melhor enquanto consumimos menos recursos ambientais e regeneramos os contextos da vida.”

Temos de aprender a usar a nossa criatividade para suprimir o óbvio e acrescentar o significativo, o que quer dizer que temos de procurar a simplicidade na criação de bem-estar.

Nós hoje verificamos que as ideias, imagens, músicas e palavras ultrapassam muitas barreiras linguísticas, culturais e políticas mais rapidamente que o comércio de produtos ou serviços.  As pessoas e o emprego também se movem rapidamente, uns voluntariamente e outros não, por força de conflitos.

Estas movimentações trazem novos problemas ligados à saúde, à cultura e à sustentabilidade de alguns ecossistemas que só a aliança entre a nossa criatividade e a nossa consciência pode resultar em inovação sustentável.

É preciso mudar comportamentos e essa mudança pode trazer consigo alguns erros na sua aplicação:

“1.  Basear-se na força de vontade para uma mudança a longo prazo é um erro. Se imaginarmos que a força de vontade não existe estamos a dar um passo para um futuro melhor .

2. “Tentar grandes saltos em vez de pequenos passos” não é o bom caminho.  Nós devemos procuram pequenos sucessos, um após o outro.

3. “Ignorar como o ambiente forma comportamentos” não é sensato. Mudemos o contexto e mudaremos a nossa vida

4. Devemos focar-nos na acção e não emTentar parar antigos comportamentos, em vez de criar novos”.

5. “Culpar as falhas na falta de motivação” não nos conduz para a frente. Devemos procurar tornar o comportamento mais fácil de fazer.

6. Nenhum comportamento acontece sem um gatilho. Por isso não podemosSubestimar o poder dos gatilhos”

7. Nós, seres humanos não somos tão racionais como pensamos. “Acreditar que a informação leva a acção” é um erro.

8. “Focar em metas abstractas mais do que em comportamentos concretos pode ser o mesmo que passar a vida enganados. Ex: Abstracto é “manter-me em forma”; concreto é “caminhar durante 30 minutos por dia.

9. “Procurar uma mudança de comportamento para sempre, não por um tempo curto é uma ilusão. Se tentarmos estabelecer um período fixo ganhamos mais.

10. “Supor que a mudança de comportamento é difícil” pode ser uma desculpa para a inacção.  Quando temos o processo certo ela não é assim tão difícil.”

Quer comentar?

“…” Adaptado de Top 10 Mistakes in Behavior Change – Stanford University

Share

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>