Todo nós já experimentamos sensações de desconforto que resultam de duas crenças contraditórias.

A existência de uma dissonância, sendo psicologicamente desconfortável, tende a motivar as pessoas a procurar alcançar consonância, isto é, a procurar uma zona de conforto.

Nas pequenas e medias empresas os executivos não negam a necessidade de inovar para serem competitivos, mas os riscos que isso possa comportar levam-nos para uma zona de desconforto.

A fim de reduzir essa dissonância, as pessoas podem procurar novas informações que contestam a conexão entre inovação e competitividade. Esta nova informação pode servir para reduzir o desconforto causado pela dissonância que a pessoa experimenta.

Phil Rosenzweig escreveu: “É possível acreditar honestamente que se tem uma estratégia de mercado vencedora quando, na verdade, não se tem. Às vezes, isso acontece porque as forças não controladas mudam. Mas, noutros casos, a causa é o pensamento não-intencional difuso.

Os economistas comportamentais identificaram muitas características do cérebro que muitas vezes são pontos fortes no nosso ambiente mais amplo e pessoal, mas que podem funcionar contra nós no mundo da tomada de decisões empresariais. Os piores ofensores incluem o excesso de otimismo (nossa tendência a esperar o melhor e acreditar demais em nossas próprias previsões e habilidades), ancorando (atando nossa avaliação de algo a um ponto de referência arbitrário), aversão à perda (enfatizando demais em evitar desvantagens e evitando os riscos que valem a pena), o viés de confirmação (ponderação excessiva de informações que validam as nossas opiniões), e o viés de campeão (atribuindo a uma ideia o mérito que é baseado na pessoa que o propõe).”

É relativamente fácil admitir que a nossa abordagem de negócios é formada por ilusões, erros de lógica e os julgamentos falhados que distorcem a nossa compreensão das verdadeiras razões que determinam o desempenho de uma organização.

Quando, por exemplo as vendas de uma empresa e os lucros são elevados, as pessoas concluem que essa organização tem uma estratégia avassaladora, um líder com visões extraordinárias, colaboradores plenos de talento e uma cultura excelente que prima, inclusive, pela inovação.

Mas quando os resultados não são tão bons, então o líder afinal não era tão bom, os colaboradores não colaboram e a cultura era fictícia.

O que acontece muitas vezes é que pouco mudou, mas a imagem criada anteriormente cria um efeito de aura, que não é mais que uma ilusão.

Na verdade, hoje existe uma preocupação com a qualidade da tomada de decisões confirmada com pesquisas que indicam que tendências cognitivas afetam as decisões estratégicas mais importantes tomadas pelos gestores das melhores empresas.

A título de exemplo, consideremos duas propensões cognitivas que são comuns e relevantes num contexto económico, onde a inovação é a palavra do dia:

– Excesso de confiança e dissonância cognitiva. Uma e outra podem trazer desconforto!

Ou talvez não.

Se por um lado, um indivíduo que tenha excesso de confiança sobrestima a precisão de suas informações privadas.

Por outro lado, a dissonância cognitiva acontece quando percecionamos uma incompatibilidade de elementos de informação que nos causa tensão e para nos libertarmos dessa tensão criamos a propensão para adquirir ou perceber informações em conformidade com um conjunto de coisas desejadas.

Se um consultor ou um analista emite uma previsão em privado favorável de lucros elevados a sua tendência para interpretar as informações subsequentes de forma a criar sustentação à informação previamente fornecida.

Há, contudo, um outro lado da moeda na dissonância cognitiva que Javier Santiso, professor da ESADE, traz e com muita graciosidade e pertinência.

“Mas talvez a chave para este reposicionamento de sucesso resida precisamente na capacidade do FMI para se regenerar e se subverter, ou seja, apresentam dissonância cognitiva e de inovação, não só por tolerar essa dissonância interna, mas também pela sua promoção.

Este é um feito de grande mérito, uma vez que, pública ou privada, nacional ou internacional, nenhuma das nossas instituições tendem a favorecer a dissonância. Muito pelo contrário, eles tendem a limitar o potencial disruptivo, inovador.

…A dissonância cognitiva é tão rara e preciosa como uma pérola branca. É fundamental para a promoção da inovação e para se reinventar a si mesmo.”

Provavelmente podemos ver o paralelo entre os processos de Dissonância Cognitiva, isto é, experimentar cognições incompatíveis e a necessidade de reduzir os sentimentos desagradáveis (agir para resolver o conflito) e a Tensão Criativa, isto é, experimentar a diferença entre a realidade num dado momento e resultado desejado (agir para criar algo reduz a tensão).

Nós não gostamos de ouvir a dissonância cognitiva dizer:

O que eu quero é isto…, Mas eu não tenho isto!

Para aliviar esse desconforto temos de libertar energia e recursos e pôr a criatividade a preencher as lacunas criadas por essa dissonância.

 

Quer comentar?

 

Este texto é uma inspiração de um artigo meu já publicado neste blogue com o intuito de relembrar aprendizagens do passado.

 

 

 

 

 

Share
 

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *