Currently viewing the category: "Criatividade"

Adotar modelos em vez de criar

Ter uma alta qualidade de vida não significa necessariamente ser um consumidor habilidosamente manipulado pelos fornecedores de produtos e serviços que nos rodeiam.

Nós precisamos de criar um clima mental que transforme a preocupação com riqueza material em preocupação com o bem-estar real.

Quando falamos de “um estado de espírito” (mindset) falamos de uma combinação de atitudes, pressupostos e crenças que qualquer pessoa transporta consigo e que determina as suas escolhas.

Dependendo do resultado dessa combinação eu posso querer uma vida cheia de objetos que alimentam a minha liberdade para escolher e dedicar o meu tempo ao exercício de multitarefas entre as muitas opções possíveis à minha disposição.

Neste caso, eu tenho liberdade de escolha, porque posso comprar, depois de escolher entre as várias opções que me são mostradas e de acordo com o tempo que eu tenho à minha disposição!

Mas se essa combinação me leva a fazer mais coisas, como por exemplo experimentar produzir, na minha horta, frutos de cores não habituais no mercado ou participar na implementação de um serviço de assistência a idosos, eu vou encontrar constrangimentos e só a criação de alternativas poderá satisfazer as minhas necessidades e quereres.

Para que a nossa vida seja mais eficaz e inventiva e de adaptação às exigências das mudanças de hoje, a nossa mentalidade tem que estar no lugar certo e esse lugar é na frente da exploração, da descoberta e da criatividade.

Nós temos que fazer mais do que apenas olhar para os problemas que são mostrados pela comunicação social e com um pensamento crítico ativo devemos encontrar uma maneira sustentada de pensar e de perceber o mundo e os desafios que esse mundo nos coloca, valorizando-os e procurando a constante melhoria das situações.

Se for persistente a nossa vontade, como pessoas criativas que somos, de abraçar novas ideias e de caminhar em direção a novas experiências indo à procura de interesses com significado, então a nossa mentalidade passa a ser criadora e inovadora.

creative skills

“As pessoas criativas diferem umas das outras de muitas maneiras, mas num aspeto são idênticas: todos eles amam o que fazem. Não é a esperança de alcançar a fama ou a ganhar dinheiro, que as guia, e sim, a oportunidade de fazer o trabalho que gostam de fazer.”Mihaly Csikszentmihalyi

Alguns de nós possivelmente ainda somos potenciais criativos, uns rebuscando as melhores sementes e imaginando o lugar ideal para as semear, outros já com paixão ao ver florescer as suas ideias e a assistir à criação de frutos verdadeiramente desejáveis, mas todos começaram por acreditar em pequenos desafios como é esse de lançar uma semente à terra.

É a hora de experimentar nas organizações!

É verdade! Pouco a pouco, no nosso dia-a-dia, podemos construir, através da experimentação de pequenas coisas novas, uma paixão por querer fazer melhor e com propósito.

Mesmo assim, a oferta de produtos e serviços, a que hoje estamos sujeitos é, tão avassaladora que muitas das coisas com que somos confrontados, rapidamente deixa de ter significado, mesmo como experiência.

“Os tipos de visões que levam a modelos de negócio que vale a pena explorar, não começam com propostas de valor ou de segmentos de clientes. Eles começam com o imaginar um par importante de experiências.” – Peter Friedman

As boas e as más ideias, as boas e as más experiências podem ser úteis para imaginar um futuro risonho para muitas empresas, mas muitas vezes a imaginação é repentinamente bloqueada por medos ou por desconhecimento.

Essa falta de conhecimento e esse medo favorecem a adoção de modelos de negócio “prontos a consumir”, e desviam toda a criatividade e inspiração para o preenchimento de desses mapas pré-estabelecidos.

Quer comentar? 

 

Pensamento integrativo e atitudes

Aprender a desenvolver o trabalho de forma colaborativa em equipas interdisciplinares é uma atividade que resulta da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente.

Muitas vezes são notórias as diferenças de atitude entre as pessoas para construir um modelo que satisfaça os desejos e interesses dos membros das equipas que se dispõem a trabalhar de forma voluntária e colaborativa.

Colaborar não é uma simples consequência de uma afirmação. Não basta dizer que se quer. É preciso ter coragem!

Colaborar requer uma atitude diferente que é, ir além dos estudos de casos ou de trocas de boas práticas. Os negócios, face às exigências da constante torrente de mudança, não podem contentar-se em transferir uma solução de uma empresa para outra.

Colaborar e abarcar a complexidade que cada vez maior que as empresas enfrentam é um destino que as pessoas, que abraçam a interdisciplinaridade e que não têm medo de estar erradas, desejam.

As equipas interdisciplinares têm o potencial para uma maior criatividade nas organizações.

Quando imbuídas de pensamento crítico, as equipas interdisciplinares produzem trabalho criativo, e os seus membros podem ativamente de exprimir as suas ideias sem medo de interferir com as relações interpessoais, mesmo que isso signifique ter que ser assertivo com perspetivas dissidentes, mas defendendo a mudança e a melhoria das coisas.

Os conflitos devem ser vistos como oportunidades para alavancar atividades criativas. De facto, os nossos sentimentos “negativos” podem fornecer um sinal de que algo não está bem e dessa forma proporcionar a procura persistente de respostas criativas para o descontentamento que se verificou.

absorv

Compreender os diferentes pontos de vista e as razões de descontentamento ou insatisfação das pessoas, quer sejam membros da equipa ou utilizadores é fundamental para encontrar a solução que se encaixa cirurgicamente nos problemas definidos.

Agora, imagine que consegue mostrar no seu trabalho empatia, pensamento integrativo, otimismo, vontade de experimentar e colaboração.

Estar em sintonia com o mundo interior de outra pessoa leva a uma compreensão mais profunda e a um grande desenvolvimento de competências interpessoais que nos permitem reproduzir algumas emoções detetadas nos outros e com isso, ter uma sensação instantânea de experiência partilhada.

Colaborar com outras pessoas implica frequentemente ter de encarar modelos opostos, mas não significa ter de abdicar do nosso em benefício do outro ou vice-versa. Pelo contrário significa escolher os pontos mais relevantes, verificar que tipos de relações existem entre eles, construir um novo modelo e decidir como resolver o problema.

Pensar de forma integrativa, é encarar de forma construtiva as tensões de modelos opostos, e em vez de escolhermos um em detrimento do outro, devemos gerar uma resolução criativa, que contém elementos dos modelos individuais, mas é superior a cada um deles.

O pensamento integrativo é uma “competência” fundamental para um trabalho interdisciplinar. Conhecer as pessoas, criar empatia e observar comportamentos e atitudes, faz parte de um processo colaborativo e de mente aberta que não se consegue sem uma boa dose de coragem.

É por isso que na base da criação de uma cultura de colaboração está também criação de uma cultura coragem e que não é apenas tornar as pessoas destemidas para falar em público, mas sim, criar as condições nas quais as pessoas corajosas possam corealizar os seus projetos.

Essas condições são de integridade, confiança e tolerância para assumir riscos. A integridade é a raiz de confiança, que é o combustível para a colaboração.

Ficam aqui estas questões:

Até que ponto as diferentes experiências pessoais são condicionantes da partilha de conhecimento?

Coragem e otimismo, não são competências inatas mas até que ponto contribuem para um estado de mente aberta e colaboração?

Quer comentar?

O nível de crescimento individual

Em inovação o consumo ainda é um aspeto importante mas já não é o aspeto mais importante.

Um pouco por todo o lado, ainda vemos resíduos da era industrial no que diz respeito ao consumo mas tudo indica que a transformação necessária em direção ao propósito e ao significado está já a dar-se.

Nós precisamos de repensar o que entendemos por qualidade de vida e inovar os estilos que poderão existir dentro de cada contexto economicamente renovado. O conceito de valor precisa ser reapreciado acrescentando significado e pertinência ao bem-estar e prosperidade das pessoas.

Por exemplo, não podemos desejar que a economia evolua através da criação de emprego em segurança pessoal porque os assaltos e agressões nas cidades aumentaram. Precisamos que a economia evolua, criando sistemas que facilitem o enriquecimento de contextos territoriais de forma sustentável.

Todos nós temos um interior inovador, empreendedor ou artista, mas falta-nos quase sempre acreditar que somos capazes de libertar esse potencial.

Nós temos que repensar e inovar algumas das nossas atividades sociais básicas, como saúde (longevidade e cuidados), educação (distância e diversidade), transporte (mobilidade e globalização) e até mesmo o nosso estilo de vida, isto é, precisamos de uma abordagem baseada nas pessoas e na sociedade e orientada para as pessoas.

Cada contexto representa um novo desafio e tem dentro de si um potencial de transformação do valor económico tradicional (mercados) em valor situacional e temporalmente válido ao nível pessoal, social ou global.

believe_crd

A nível pessoal, dada a tendência de crescimento pessoal e transformação, o valor econômico será cada vez mais definido, não em termos de consumo, mas em termos da entrega de transformação propriamente dito. Valor econômico pessoal será menos sobre o ato de consumir e mais sobre o ato de transformação, à medida que as pessoas individualmente e coletivamente coisas que os ajudem a crescer, experimentar e transformar…

A nível social, a capacidade das tecnologias de ambientes para entregar sistemas mais contextualizado e distribuídos, baseados em e à volta dos utilizadores de usuários e lidar com questões como saúde, doença e cuidados, irá gerar valor econômico.”

A libertação do nosso potencial criativo em ambientes de diversidade parece ser agora mais fácil face ao encontro de culturas, comportamentos e credos que emergem nas comunidades que se desenvolvem por todo o mundo.

Já não existe uma única verdade passível de exportação para o mundo desconhecido e o número de confrontos que as diferentes pessoas, grupos ou comunidades fazem emergir alavancam o pensamento crítico e fazem colidir as velhas ideias dando lugar a novas ideias mais centradas nas pessoas, novas soluções para problemas mais pertinentes e contingenciais.

Hoje, há muitos tipos de pessoas, com diferentes tipos de vidas com formas variadas.

As necessidades ocultas das pessoas começam a tornar-se mais visíveis e as necessidades não articuladas começam a definir formas. Isto quer dizer que as pessoas criam espaço para refletir e redimensionar o seu mundo e não se prendem apenas com a satisfação imediata que os bens de consumo prometem.

Quer dizer também que a maior liberdade para escolher, não se resume à grande oferta de produtos e serviços e vai também no caminho de uma maior consciência, fruto de uma maior complexidade e maior responsabilidade.

As organizações, também elas, ou quem as dirige, têm agora mais campo para refletir sobe a competitividade e sustentabilidade. O conhecimento da diversidade e o seu enquadramento nas preocupações das suas atividades alavancam novas possibilidades e oportunidades.

Então, existe lugar para a diferenciação e para trilhar o caminho das propostas de bem-estar.

Quer comentar?

Tagged with:
 

O conhecimento tácito e a confiança

A experiência acumulada ao longo da nossa vida é frequentemente uma alavanca para saltos significativos na resolução de problemas sejam eles desafios pessoais, em família ou numa organização.

Essa é uma experiência que não se pode ignorar nem se deve deitar fora sem conscientemente perceber a sua maior ou menor relevância na resolução de problemas.

Há momentos para aprender e há momentos para desaprender.

Eventualmente durante anos, ciclicamente, aprendemos e esquecemos, contudo há dois tipos de experiências que devíamos conciliar e utilizar no nosso dia-a-dia:

Uma experiência baseada na experimentação que proporciona divertimento e aprendizagem e uma experiência acumulada e traduzida em conhecimento tácito.

Conseguir aprender rapidamente num mundo em constante mudança e partilhar o conhecimento de forma a criar novo conhecimento e novas coisas ou ainda experienciar novas emoções, pode ser um objetivo pessoal perfeitamente realizável se o desejo e o querer que existe dentro de nós forem grandes.

Quando estamos conscientes da importância das nossas experiências fazemos com que os momentos que vivemos sejam ricos e pareçam não ter fim e isso faz com que as emoções vividas sejam fundamentais para mais tarde recordar essas experiências.

Eventualmente, não nos lembraremos de todos os pormenores de situações vividas mas facilmente nos recordamos o que sentimos.

iceberg-no-mar ws

As memórias emocionais são poderosas e servem para orientar e informar-nos como podemos navegar o presente e preparar para o futuro. Se você já teve uma bebida ou um gosto de algo estragado, você sabe que a memória emocional o protege de fazer isso novamente.”

Nem todas as instâncias de conhecimento tácito são memórias emocionais mas muita informação, tacitamente armazenada em nós, está ligada à nossa tomada de decisão e à forma como ligamos pontas de conhecimento diversificado em questões de matéria e contexto.

Os momentos de decisão são momentos de precisão cirúrgica e são momentos em que é preciso sacudir a criatividade para tomar decisões. É uma ação que deve ser desenvolvida com a participação do conhecimento especializado na matéria em causa, mas que apela à colaboração de outras pessoas.

A gestão dessa informação, que nós fazemos ao longo de muitos embates com contentores de dados, pode facilitar a criação de novo conhecimento.

Mais ainda, se formos hábeis ao gerir a forma como as pessoas partilham e aplicam essa informação, podemos proporcionar saltos criativos interessantes. Isso porque, o conhecimento tácito que cada indivíduo possui e que é único, uma vez desbloqueado, pode ser uma grande contribuição criativa numa organização.

De facto muitas decisões, para serem tomadas, necessitam do apoio ou aprovação das pessoas com quem vivemos ou trabalhamos, pois são essas pessoas que são especialistas em determinado assunto e não nós, apesar de poder existir alguma tendência para sermos moldados em T.

 “Nós sabemos mais do que o que somos capazes de dizer” – Michael Polanyi

O conhecimento mais especializado é muitas vezes tácito e o intercâmbio desse conhecimento conduz à criatividade, e por isso é necessária uma compreensão dos antecedentes dos participantes nessas trocas, algo que só conseguimos adquirir através partilha.

O mesmo se passa em relação à confiança que depositamos nas pessoas que colaboram connosco. Para criar confiança, necessitamos de uma compreensão dos antecedentes dos nossos interlocutores, e para podermos partilhar ideias ou cocriarmos, vamos precisar de conhecer as intenções e os comportamentos observáveis das pessoas envolvidas na partilha.

O tipo de confiança envolvido no trabalho do conhecimento não é uma entidade estática qualquer presente ou ausente. Nem é confiança improvável que surge espontaneamente e, assim, precisamos aprender a criar confiança entre atores com diferentes objetivos e valores. Consequentemente, a confiança é uma conquista realizada, de um esforço concertado e altamente heterogêneo com atores, artefactos e outras representações de conhecimento.”

Quando as experiências são partilhadas há uma série de conexões que são identificadas e se transformam no ponto de partida para novas ideias.

 

Quer comentar?

 

Liderança vista nos dois sentidos

Quase sempre um líder se diferencia de um gestor pelo uso que faz dos seus pressupostos.

Para um líder questionar os seus pressupostos é procurar fazer as coisas certas enquanto para o gestor os pressupostos são a base para de uma forma incremental procurar fazer as coisas direito, isto é, seguindo as normas e as políticas das organizações a que pertencem.

Um pressuposto é algo tido como garantido e quando assumido representa um caminho para não ter desvios, mas não indicam necessariamente que estamos no caminho certo.

Questionar e transformar os nossos pressupostos em possibilidades é um caminho da exploração, da criatividade e da inovação e essa deve ser a mentalidade de um líder em inovação.

Dos muitos os obstáculos à inovação, os que são mais perigosos são os pressupostos assumidos como verdades absolutas porque para além de serem um mau hábito, são um bloqueador de mentes abertas e são muitas vezes insidiosos e invisíveis ou conscientemente ocultados.

Os pressupostos inibem o futuro enquanto puro potencial. O futuro constrói-se com a nossa criatividade.

A criatividade envolve um processo de três etapas: identificar suposições que você faz e que impedem que veja todas as alternativas; negar estas hipóteses de restrição; explorar as consequências das negações.’’

Com frequência assistimos aos esforços de gestores procurando melhorar uma parte da organização pensando que assim estarão a criar uma melhor organização, mas isso pode criar desequilíbrios. A organização tem ser vista como um todo, isto é, tem de incluir as conexões entre as partes.

creativitymen

Partir do pressuposto que melhorar o desempenho das partes separadamente e melhora necessariamente o desempenho do todo, é falso. Pelo contrário, não havendo uma relação desejável de equilíbrio entre as partes pode destruir uma organização. Por exemplo, tente colocar motor de um Toyota num Rolls Royce! Essa ação requer uma conceção e exige criatividade.

Mesmo quando os pressupostos parecem ser grandes ideias a plicar é importante questioná-los!

“As grandes ideias não são apenas “soluções”. Na verdade, muitas das grandes ideias são problemas.” Umair Haque

Os pressupostos em inovação são um problema e como tal devem ser identificados. Podem ter vários nomes como mentalidade, pontos cegos ou vacas sagradas mas de facto são um conjunto de premissas e normas ocultas que governam o comportamento dos gestores e que levam muitas vezes à utilização do benchmarking ou de outras receitas guardadas para situações problema, em detrimento da criatividade e da inovação.

Se uma palavra pode ser o bastante para influenciar o nosso pensamento de forma profunda, imagine o que alguns bons anos a trabalhar num determinado negócio pode fazer

São anos de pressupostos ocultados conscientemente, mas outros são submersos inconscientemente e difíceis de identificar, quer pelos outros quer pelos próprios.

Quando conscientemente utilizados mas de forma oculta os pressupostos são uma demonstração clara de falta de colaboração e de incapacidade de liderança.

Cada um de nós desenvolveu opiniões ou crenças sobre líderes e liderança, mas é raro explorarmos, articularmos ou discutirmos essas expectativas com nossos chefes, colegas ou subordinados diretos. Estes pressupostos ocultos afetam nossas relações de trabalho e tornar-se condutores de nossas escolhas pessoais sobre liderança.”

Quer comentar?

Tagged with:
 

Um fluxo de alegria

Criatividade floresce quando as coisas são feitas para ter prazer. Quando as crianças aprendem de uma forma criativa, preservar a alegria importa tanto — se não mais — do que “acertar”. O que importa é o prazer, não a perfeição.”

A criatividade origina muitas vezes alegria, quer para o criador quer para o espectador, seja ele um sujeito passivo ou sujeito ativo do bem partilhado.

Mas a criatividade ou os propósitos na sua direção também geram conflitualidade quando, e quase sempre é assim, a nossa ação é moldada por constrangimentos da realidade das organizações.

A “criatividade” nas organizações é muitas vezes confrontada com duas questões:

Até que ponto devo sacrificar a minha criatividade a favor dos negócios?

Até que ponto devo sacrificar as vendas a favor da minha criatividade?

Quando criamos é necessário que estejamos familiarizados com a caminhada rumo ao desconhecido e não nos percamos na incerteza do futuro ou cedamos ao medo se confrontados com o “sacrifício” da criação.

“No ato criativo, o artista vai da intenção à realização através de uma cadeia de reações subjetivas. A sua luta em direção à realização traduz-se numa série de esforços, dores, satisfação, recusas, decisões, que também não podem e não devem ser totalmente auto conscientes, pelo menos no plano estético.” - Marcel Duchamp

 ch

Os sacrifícios em criatividade são muitas vezes colocados tanto a desenhadores de páginas Web como a pintores de retratos de gente ilustre ou a criadores de escovas de dentes e aspiradores.

Uma pessoa criativa dá o seu cunho pessoal nas coisas que um espectador, consumidor ou utilizador tanto gostam, mas será importante saber qual o peso dessa marca no produto final?

O que importa saber é até que ponto o ato criativo no seu processo de mutação da intenção à realização, destrói as intenções para satisfazer as necessidades ou desejos do consumidor.

Desenvolver um negócio na arena global demanda inovadoras formas de compreender e responder às necessidades das pessoas. Os empresários que sabem ouvir os seus clientes, ao invés de estudar apenas números e estatísticas terão um futuro esplêndido, e aqueles que são capazes de desenhar na sua intuição irão emergir como líderes naturais neste novo ambiente de negócios.”

Um ato criativo não é executado por uma pessoa isoladamente. O destinatário das coisas criadas participa, no mínimo, na construção mental realizado pelo criador, porque ele representa o mundo exterior que é necessário decifrar.

Parece ser um facto que, cada vez mais, as qualidades estéticas de produtos de consumo influenciam o comportamento e preferências dos consumidores.

Os consumidores ou utilizadores de produtos são consumidores de beleza e de criatividade e estes dois atributos, umas vezes andam de mãos dadas outras de costas viradas, apesar de os dois representaram cargas positivas quando há lugar a uma decisão.

A beleza pode ser encarada como parte da criatividade, apesar de muitas opiniões referirem como fatores fundamentais da criatividade a novidade e a usabilidade. A par da elegância e da atratividade a beleza constitui também um fator importante nos resultados da atividade criativa.

“Criatividade: a capacidade de formar ou formular algo que ninguém fez antes, e que se sente como se tivesse a conformidade, própria das  partes, para o todo, ou seja, a capacidade de formular algo que se sente belo”

Há no entanto quem defenda que beleza e criatividade não podem coexistir porque a beleza enquadra-se num domínio de familiaridade que se opõe à originalidade.

Será este dilema, o sacrifício supremo de quem defende a criatividade como alavanca fundamental para o sucesso das organizações?

“Não há dúvidas que podem ser aprendidas lições de Artes (e o processo artístico) que poderia alimentar a criatividade em negócios.” – The Guardian

Quer comentar?

Este artigo é a revisão de um antigo publicado neste blogue.

Tagged with:
 

Uma procura de equilíbrio

Aquilo que nós consideramos serem as nossas opiniões é de facto o resultado de anos a prestar atenção às informações que confirmam aquilo em que acreditamos, ignorando as informações que desafiam as nossas noções preconcebidas.

Somos, uns mais que outros, frutos de uma educação e aprendizagem baseada em escolhas entre o sim e o não e por isso nos inclinamos para algumas armadilhas na decisão quando há risco e recompensa.

O nosso cérebro engana-nos com aquilo que guarda. Ele sente-se atraído por longas distâncias quando elas significam grandes recompensas.

Quem toma decisões nas organizações deve estar consciente da importância de algumas tendências psicológicas que enfrenta na altura de decidir, principalmente quando avaliamos novas ideias ou a oportunidade de as implementar.

Nós sabemos que hoje, o medo e o pessimismo são dois aliados fortes, mas também sabemos que o excesso de otimismo nos conduz a precipitações muitas vezes extremamente onerosas.

Apesar de vivermos numa época em que a felicidade é a realização mais desejada, e ninguém admirar as pessoas que têm medo, não é fácil mantermos uma mente aberta à possibilidade do risco inerente à adoção de novas ideias.

Se por um lado é fácil ridicularizar qualquer um que aponta para os perigos futuros e classificá-los de pessimistas, por outro lado, imaginar um futuro sem obstáculos ou adversidades é um otimismo excessivo e perigoso.

É no equilíbrio entre o medo da mudança e a coragem para assumir o risco que se desenvolve a vida das nossas boas ideias, isto é, das nossas soluções.

images (12)

Para chegarmos a este equilíbrio, temos no entanto de previamente dar alguma atenção a nós próprios, desafiando os nossos pressupostos, reformulando os nossos problemas, imaginando o contrário do que achamos bom e contando histórias que convençam as pessoas e não só a nós.

As pessoas ao longo dos séculos desenvolveram uma capacidade biológica de medo, porque isso as ajudou a sobreviver, mas ao mesmo tempo mantem-nas resistentes à mudança e em alerta para muitos perigos que possam enfrentar.

Se por um lado esta capacidade de estar alerta é boa, por outro lado, ela impede-nos frequentemente de dar passos mais largos e promissores.

Nessas alturas em que nos lançamos para um futuro que esperamos seja promissor, muitos de nós, subestima as dificuldades que enfrenta e sobrestima a capacidade para responder a essas dificuldades.

“Enquanto ser otimista é geralmente aceite como sendo um benefício para viver uma vida de alta qualidade e talvez longa, demasiado otimismo pode ser um problema, especialmente no que diz respeito a questões financeiras.” – RICK NAUERT PHD

É importante que, todas as partes interessadas em desenvolver a inovação dentro das organizações, estejam alerta para a possibilidade de poderem estar sujeitos a estes desvios. É preciso contar com os riscos e os obstáculos que irão enfrentar ao liderar um projeto.

Na maioria das vezes as vitórias do otimismo resultam numa bolha especulativa e as vitórias do pessimismo resultam em grandes perdas de oportunidade.

É no equilíbrio entre as várias forças que se encontra o caminho do sucesso!

Ser capaz de não confundir a impulsividade com intuição é uma competência inerente aos conquistadores e aos vencedores.

A intuição não é mais de que uma resposta fruto da experiência e onde as decisões que tomamos não são fáceis de explicar.

A impulsividade é uma necessidade absoluta de obter respostas imediatas e que necessita de ser gerida com pensamento crítico.

Quer comentar?

Dois pontos de vista diferentes mas semelhantes do sonho

Muitas vezes sentimos desconforto e até um aperto no peito quando não conseguimos imprimir ação às nossas ideias ou quando os nossos sonhos parecem desfazer-se como uma pequena duna de areia junto à rebentação das ondas do mar.

Estes são os sonhos de longa duração que servem de alimento a propósitos e por isso são energia constante ao nosso dispor.

Os outros são os nossos sonhos que servem funções emocionais e sociais de adaptação à nossa vida em constante evolução, e estão relacionados com os nossos desejos ou necessidades de resolver conflitos.

Os sonhos permitem que, cada um de nós coloque junto alguns pedaços da vida, para dar significada a um todo.

Os sonhos são altamente visuais e muitas vezes ilógicos por natureza, o que os torna maduros para o tipo de pensamento “out-of-box” de que necessitam alguns problemas.”

São uma roteiro para as “viagens” que concebemos e por isso são aproveitadas de forma magistral por quem quer “vender” uma ideia.

Uma ideia que contém em si uma combinação de um apelo emocional com as nossas características próprias mas que também tem em nós um promotor, consumidor ou utilizador subconsciente em potência.

fut

Mas ser-se promotor, num determinado ponto da viagem, ou consumidor, noutro ponto, de uma nova ideia ou da sua materialização implica um processo de mudança que contem em si três coisas relacionadas entre si:

A primeira é a sensação, que se refere ao processo de sentir o nosso meio ambiente.

A segunda é a perceção, isto é, a nossa forma de interpretar essas sensações e, portanto, de dar sentido a tudo que nos cerca.

A terceira, o meio ambiente (ou comunidade) que está repleto de fontes de emoções diversificadas e de fontes de informação que podem criar em nós alguma insegurança na definição do caminho para as nossas ideias ou sonhos.

Nestas alturas é preciso descobrir a informação relevante com o auxílio de filtros refinadores de significado.

Tanto nas organizações (meio ambiente) como a nível individual a grande e importante deficiência que envolve a nossa ação é a falta de informações relevantes. O papel de todos os que nos rodeiam é tentar iluminar os dados espalhados e transforma-los em algo relevante, como informação, conhecimento e compreensão.

Só ficaremos sábios se houver compreensão, se houver empatia. Só teremos, ou aceitaremos, ideias brilhantes, para iluminar o nosso caminho se elas satisfizerem as nossas necessidades e as da nossa comunidade.

O que procuramos é que, todos os que interagem connosco façam parte dessa lente que amplifica a leitura e define os nossos problemas realçando as nossas necessidades.

Partilhar um sonho, significa conciliar os pontos de vista. E porque um sonho é…

Eu penso que os sonhos e o sono REM tem provavelmente evoluído mais para serem úteis para a realidade como em muitas das coisas em que nosso pensamento é útil…,

É apenas tempo extra para pensar, e por isso, potencialmente qualquer problema pode ficar resolvido durante o mesmo, mas é o tempo de pensar no estado em que é muito visual e mais solto em associações, por isso temos evoluído para usá-lo especialmente para trabalhar sobre esses tipos de problemas.”

Quer comentar?

 

Tagged with:
 

O medo ou a falta de confiança

Em vários projetos onde tenho participado como membro de equipa ou como facilitador, noto que as pessoas, quando lhes é pedido para validarem as suas hipóteses de solução, junto das comunidades onde estão a trabalhar (vida real e não online), inventam uma série de desculpas para, não se confrontarem cara-a-cara, (munidos com os seus protótipos), com os potenciais utilizadores.

Isto acontece numa altura em que o crescimento económico e o renascimento (depois da crise) das cidades contemporâneas, depende fundamentalmente das atividades criativas da sua população.

O ambiente que se vive está em constante mudança, com altos níveis de incerteza e onde o conhecimento tácito se sobrepõe ao conhecimento explícito e nos empurra para interações constantes.

Quando procuramos ser criativos e partilhar as nossas ideias, isto é, quando queremos que a nossa ideia nova seja uma solução para os problemas de alguém, temos de interagir (também na vida real) com o meio ambiente onde nos queremos inserir.

Estudos em diferentes indústrias culturais têm mostrado que a comunicação face a face executa várias funções. Primeiro, os trabalhadores culturais, gastam tempo, dinheiro e energia em interação cara-a-cara porque eles precisam construir relacionamentos que conduzam à confiança e renovação mútua, e confirmar essa confiança ao longo do tempo. As relações de confiança são necessárias devido à natureza do conhecimento envolvido no seu trabalho, que implica habilidade individual, sensibilidade, gosto e estilo de vida que pode ser comunicado e transferido somente através de um relacionamento pessoal com base na confiança mútua. A confiança, então, facilita a partilha de bens culturais diferentes e habilidades necessárias para projetos coletivos.”

white_face_masks

Voltando ao receio que nós temos de, cara-a-cara, enfrentarmos os avaliadores dos pressupostos embutidos nos nossos protótipos, podemos pensar que o que está em causa nessas alturas são dois tipos de diferentes de confiança.

Por um lado, eu crio resistência porque a confiança que eu tenho nas minhas capacidades para elaborar uma solução é muito baixa e, por outro lado, ainda não existe uma confiança mútua com a população “alvo” a abordar que me permita receber o feedback negativo que eventualmente possa surgir.

A confiança é fundamental não só nos momentos de cocriação com os membros das equipas onde estamos inseridos mas também com os futuros consumidores e utilizadores que participação nesses atos criativos.

Em qualquer destes momentos é fundamental que um clima de colaboração seja uma constante e por isso a confiança é um pré-requisito para o sucesso.

A interação que procuramos, pode ser para confeccionar um doce nunca experimentado ou pelo menos desconhecido ou para resolver um problema grave de alojamento a um grupo de pessoas vítimas de uma tempestade.

Se de facto estamos empenhados no sucesso das nossas realizações, podemos verificar que esse sucesso é em parte derivado de relacionamentos com outras pessoas, através dos quais temos acesso a conhecimentos e capacidades para além de nós mesmos, isto é, para além dos nossos pressupostos.

A resistência que muitas equipas, ou membros dessas equipas, mostram quando precisam de ir para o terreno e encarar a realidade sob a perspetiva das necessidades reais e dos quereres dos utilizadores finais é um medo fundado na falta de confiança que pode arrastar graves consequências.

Não testar ou validar os nossos pressupostos ou hipóteses nos ambientes reais e não procurar um feedback verdadeiro e claro leva-nos à construção de falsas propostas e ao despesismo na procura de soluções autênticas.

Não podemos esquecer-nos que nós construímos protótipos para aprender e não para testar um produto supostamente acabado. São os “clientes” quem mais têm para nos ensinar por isso construir confiança é o caminho certo para uma aprendizagem segura e uma proposta de solução com menos risco.

Quer comentar?

Tagged with:
 

Bons hábitos e motivação

A pressão que o tempo exerce sobre nós no decorrer de algumas atividades, parece realmente ter um impacto importante especialmente quando falamos de criatividade, apesar de à primeira vista poder parecer o contrário.

Para muitas pessoas isso significa que, apesar de existir um sentimento de maior criatividade nessas alturas, de facto a nossa prestação criativa quando estamos sob a pressão de constrangimentos temporais é pouco significativa.

De facto, aquilo que sentimos pode não corresponder ao que realizamos porque a motivação é um dos fatores que interage na prestação criativa.

No final, é o nível, a forma e o significado do motivador que levam ao equilíbrio perfeito. Sendo dito para fazer um trabalho duro de uma forma particular, com nenhuma tolerância de falha, pouca expectativa de reconhecimento para o sucesso e a pressão do tempo extremo, arbitrário, pode matar a motivação para a criatividade de qualquer um. Mas sendo dado o mesmo trabalho, numa atmosfera positiva onde falsos começos são examinados de forma construtiva e o sucesso é reconhecido, pode conduzir a criatividade — e a inovação — para a frente.” – Teresa Amabile

ecci

Quando, numa organização, os colaboradores estão focados e protegidos e têm um sentimento de estar a fazer um trabalho importante a sua motivação intrínseca desenvolve-se e apesar de haver pressão com o tempo a criatividade emerge.

Mas se os colaboradores não têm um foco, andam distraídos, estão ocupados com pequenas atividades e passam o tempo em reuniões à procura de inspiração, o resultado é o stress e não há pensamento criativo.

Noutras alturas sem constrangimentos de tempo o pensamento criativo pode desenvolver-se mas beneficiando a exploração dos ambientes em detrimento da resolução de problemas porque a motivação não está direcionada.

As restrições de tempo podem ser reais ou o produto da nossa própria ambição e imaginação como acontece quando o dinheiro escasseia e nessas alturas, por um curto período de tempo, podemos chegar a ser extremamente criativos.

Tempo é o recurso que nós invocamos para obter mais realização. Quando não há mais a fazer, nós investimos mais horas. Mas o tempo é finito, e muitos de nós sentimos que estamos a esgotar, que nós estamos a investir tantas horas, quantas as que podemos, tentando manter alguma aparência de uma vida fora do trabalho.”

Não é de grande utilidade querermos enganar-nos a nós próprios com a “gestão do tempo” sem aceitarmos com sinceridade a necessidade de disciplina na nossa vida profissional e familiar.

Não é preciso ter um regime de disciplina rígido para sentir o tempo a dar o rendimento desejado, mas alguns hábitos podem ajudar nessa busca.

Podemos considerar o hábito criativo como sendo um estado de espírito que se constrói para dar uma resposta à necessidade de resolução de problemas no nosso quotidiano seja em casa, no trabalho e na sociedade ou uma atividade que se traduz na criação de algo novo (um produto, uma obra de arte, um romance, uma piada, etc.).

Um hábito criativo não é uma rotina (mau hábito) ou repetição monótona das mesmas coisas sem interesse pelo progresso. Por exemplo, levantar cedo, marcar objetivos ou ser disciplinado ajuda a criar um hábito criativo e desenvolve o interesse por bons resultados.

A criatividade resulta do hábito de atuar, de pensar, de questionar e ser curioso, mas acima de tudo de ser persistente na procura de um sonho.”

Quer comentar?

 

Tagged with: