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A cultura de uma organização representa um conjunto muito bem articulado de crenças, valores, práticas, atitudes e comportamentos partilhados por toda a gente.

A cultura das organizações leva tempo a construir e a consolidar-se, e talvez por essa razão quando pretendemos a sua mudança, se a cultura é forte, enfrentamos uma gama razoável de obstáculos. Uma cultura forte numa organização dispensa o uso excessivo de regras e não se baseia na procura da permissão, caso contrário, bastaria alterar algumas regras se pretendêssemos uma mudança significativa.

Pelo facto de assistirmos à mudança, a uma velocidade realmente elevada, facilmente percebemos que a cultura de uma geração, construída ao longo de um determinado período de tempo, evolui rapidamente nos seus contornos, apesar de os aspetos nucleares se manterem estáveis.

Mas não é só a velocidade a que a mudança no meio ambiente ocorre, que pode pôr em causa uma cultura forte, também, a diversidade geracional e geográfica dos elementos de uma equipa, e ainda mais de uma organização, sendo uma realidade crescente, concorrem para a construção de uma nova e mais rica cultura.

No espaço de uma geração de trabalho é fácil reconhecer os efeitos das alterações sociais nas formas de produção e nas necessidades dos colaboradores de uma organização.

Assim, construir a cultura própria numa equipa passou a ser uma tarefa complexa, mas, sendo levada a cabo conscientemente e com respeito pelas diferenças dos seus elementos, chegamos a bom porto.

Acresce ainda um fator de instabilidade na criação de uma cultura de equipa forte, a que chamamos longevidade média das empresas, dando lugar a muitos episódios de curta duração, por exemplo, as baixas taxas de sucesso de startups. Também aqui surgem fenómenos naturais em culturas de equipa fortes frequentemente anulados pela extinção dos negócios das organizações recém-nascidas.

Sabemos também que, um dos grandes problemas que as organizações encontram, numa mudança de cultura da empresa, é a dificuldade sentida na construção de equipas, isto é, quando a mudança de cultura implica mais trabalho colaborativo em equipa, a resistência à mudança tende a aumentar.

Então como podemos facilitar o desenvolvimento de uma cultura de equipa?

Fortalecendo atitudes positivas. Nós sabemos que as más atitudes são fruto de experiências e acontecimentos no passado, mas as memórias dessas experiências podem ser reavaliadas dando origem a predisposições para ação construtivas.

Num ambiente de trabalho em equipa, as pessoas compreendem, acreditam e assumem que o planeamento, as decisões e as ações apresentam melhores resultados quando realizadas de forma colaborativa.

No entanto, para que os membros das equipas consigam atingir um verdadeiro nível de colaboração, e porque isso significa quase sempre a mudança, é preciso:

– Que os membros da equipa se sintam respeitados.

– Que os membros das equipas tenham abertura para fazer ajustes na articulação de diferentes valores, crenças e costumes que os seus membros apresentam.

– Que as pessoas entendam o porquê da mudança, seja de estratégia ou de procedimentos. É preciso querer fazer a mudança.

A única maneira de fazer mudanças é agir como uma equipa unida e isso é muito mais fácil quando se tem um bom líder.

– Que os membros das equipas estejam conscientes que, por vezes, a mudança numa organização exige a transferência de recursos de algumas áreas para outras.

A construção de uma cultura de equipa implica, por isso, uma avaliação do potencial de todos os elementos da organização de forma a facilitar a melhor combinação possível dos recursos existentes e/ou a integrar.

Como diz Susan Peters: “Definimos a experiência do colaborador simplesmente como a forma de olhar o mundo através dos olhos dos nossos colaboradores, mantendo-nos ligados e tendo consciência de seus principais pontos de contacto. No ano passado, nomeamos um Chefe de Experiência de Colaboradores e estamos a desenvolver uma estratégia para criar uma experiência de colaborador que tenha em consideração o ambiente físico em que nossos colaboradores trabalham, as ferramentas e tecnologias que permitem sua produtividade e aprendendo a alcançar o seu melhor desempenho. no trabalho. Tudo isso faz parte da evolução contínua de nossas capacidades de RH”.

Um processo de avaliação permite entender algumas tendências comportamentais, necessidades e fatores motivacionais, bem como capacidades ou competências. Ao avaliar os pontos fortes e os pontos fracos dos membros da equipa, a organização, fica capaz de gerir os seus talentos e com facilidade pode gerir energia, para desenvolver os projetos da equipa, com a velocidade e eficácia desejadas.

A cultura de uma equipa cresce quando os colaboradores partilham práticas comuns, mas também quando cada um influencia a equipa através das suas atitudes e perceções únicas do ambiente em que está envolvido.

A cultura de uma equipa passa também pelo conhecimento generalizado do potencial energético dessa equipa.

A noção de cultura de equipa é sobretudo mais relevante numa época em que várias gerações coabitam nas equipas e nas organizações.

Entre os diferentes e possíveis elementos de uma equipa existem diferenças significativas de valores, crenças e tendências, mas há todo um universo de pontos comuns que servem de cola na construção de uma equipa vencedora.

 

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As equipas de uma organização movem-se à volta de três ambientes distintos, ou seja, as pessoas, os processos e as ferramentas.

Na maior parte das vezes as pessoas deixam de olhar para si próprias e para os outros e preocupam-se em centrar a sua atividade nos processos e as suas escolhas nas ferramentas.

É uma atividade lúdica interessante essa que conduz as pessoas à adoção de novas tendências de processos e metodologias ou à procura da ferramenta mais “cool” no mundo digital, mas raramente vemos as pessoas nas redes sociais ou plataformas de partilha a perguntar como se pode “melhorar o pensamento” ou como aumentar a satisfação dos membros de uma equipa (para além de algumas experiências de “team building” pouco adaptadas aos contextos).

É verdade que, ocasionalmente vemos alguém sugerir diferentes atitudes ou chamar atenção da necessidade de colaborar (implica diálogo) e de revitalizar a comunicação. Revitalizar não o processo em si, mas a postura face ao interlocutor e às outras equipas que dependem do nosso trabalho ou que fazem parte do mesmo sistema organizacional da nossa equipa.

Raramente ouvimos alguém clamar que é importante e prioritário definir bem os problemas e enquadrá-los ou contextualiza-los antes de partirmos para a descoberta das soluções ou da criação inovadora (redundância).

Raramente ouvimos uma voz dizer para deixarmos de escolher na montra, que prepararam especialmente para nós, e passar a construir as nossas soluções que dão uma resposta cabal aos nossos problemas e necessidades.

Não é usual vermos uma ou várias pessoas numa equipa a utilizar um meio (pensamento crítico) para avaliar e melhorar a sua capacidade de julgar bem as opções que lhes são colocadas, ou que construíram, para deliberar sobre determinado assunto (avaliar as alternativas, pesando umas contra as outras, de modo a tornar possível escolher entre elas).

É muito raro vermos alguém manifestar o desejo de mais diversidade nas equipas ou de desejar mais equipas interdisciplinares como forma de evitar a predominância das equipas mais homogéneas na formação de base ou na rede cultural, mas que, embora normalmente mais eficientes na execução, perdem qualidade na resolução criativa de problemas e no desenvolvimento de produtos e serviços inovadores.

Uma organização que pretenda utilizar a criatividade como alavanca para o sucesso empresarial deve estar constantemente à procura de pessoas com uma mente aberta à colaboração com os representantes das várias disciplinas existentes dentro e fora da organização.

Afinal é essa capacidade que distingue as equipas multidisciplinares das equipas interdisciplinares. Numa equipa multidisciplinar cada indivíduo procura defender a sua própria especialidade e as suas técnicas de eleição o que provoca abordagens de longa duração e provavelmente fracas conclusões.

Pelo contrário numa equipa interdisciplinar, há uma apropriação coletiva das ideias com a exposição transparente dos pontos positivos de ideias diferentes e uma coresponsabilização assumida no desenvolvimento das ações. Para além disso, o contacto com outras pessoas, provoca a autorreflexão e permite a confrontação com pensamentos divergentes que promovem a coerência dos conceitos.

Todos sabemos a que velocidade a informação flui e como ardilosamente ela pode ser construída e desatualizada constantemente. Essa velocidade e a forma como organizamos os dados, quando pretendemos tomar decisões, implica naturalmente, momentos de alta tensão e, por isso, relaxar não é uma solução.

A tensão no interior das equipas quando os diferentes elementos precisam decidir deve ser gerida de forma que beneficie a equipa e a organização como um todo.

A maior parte das vezes estas escolhas (tomar decisões) são enigmáticas e provocam um autêntico desafio na combinação de incertezas, ambiguidades, complexidade, instabilidade e risco e apelam também a aspetos únicos da experiência da equipa enquanto grupo coeso.

Frequentemente quando tomamos uma decisão individualmente, pensamos naquilo que nos trará maiores benefícios e eventualmente não estamos atentos a possíveis consequências indesejáveis para outras pessoas.

Assim, a melhor opção é trabalhar o problema como um todo, dando atenção à diversidade de fatores e procurando compreender a complexidade das relações causais nas conexões estabelecidas no sistema organizacional.

 

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Onde estamos? Onde queremos ir? Como lá chegamos?

 

Em muitas organizações, as equipas são o resultado de um ajuntamento de pessoas que vão tentar comunicar e entender-se de forma a produzir algo com valor. Também normalmente as organizações esperam que essas equipas contribuam para um bem maior que é entregar valor aos seus clientes sendo que estes respondem fazendo com que as organizações ganhem algum dinheiro.

Estas pessoas passaram, a maior parte das vezes, por um processo de seleção bem estruturado que lhes conferiu o passaporte para o exercício de uma atividade que se irá desenvolver em conjunto com outras pessoas que possuem um leque de competências idêntico.  Podem variar no género, na idade, nos anos de experiência anterior ou até na língua materna, mas quase sempre possuem o mesmo selo de qualificação profissional (não é a mesma coisa que competência) e o mesmo título funcional. A diversidade de competências nas equipas deveria requerer uma atenção especial aos recrutadores das organizações.

Depois de aglomeradas as pessoas, por vezes com intervalos de entrada, significativos no tempo, espera-se que comecem a experimentar o ambiente de trabalho e permite-se um período de adaptação. Nalguns casos têm um acompanhamento de integração na organização, mas depois de um contacto inicial deixam de se relacionar com outras equipas e passam a tentar responder unicamente aos pedidos dos seus clientes internos.

Em alguns casos podem, inclusive, ter ajuda na facilitação do desenvolvimento de processos de negócio ou acompanhamento de mentores, mas quase sempre falta ajuda na construção de uma equipa coesa e com potencial de crescimento.

Este é o cenário que podemos vislumbrar nas organizações que crescem rapidamente ou noutras já com alguma dimensão. Contudo não é só nas organizações maduras que a construção de equipas se torna um problema. Com o surto de startups nos vários panoramas possíveis da vida económica, este problema de construção de equipas eficazes e eficientes (inclui capacidade de adaptação), agudizou-se. E porquê?

Porque, por um lado, há necessidade de respeitar e beneficiar de fatores como a inclusão e a diversidade e, por outro lado, porque se verifica um défice de talentos face à grande procura por parte das pequenas organizações que agora nascem e crescem. Isto faz com que, naturalmente, haja uma grande mobilidade de pessoas e como consequência seja difícil fazer com que as equipas atinjam a maturidade, a autonomia e a excelência.

Não é urgente nem importante resolver o problema da construção de equipas eficazes e eficientes. É imperativo!

Senão vejamos! Há várias razões para não vermos muitas startups a singrar no mundo organizacional que vão “desde ignorarem o feedback dos clientes até não terem a equipa certa…”. Contam-se ainda como causas para o insucesso a falta de paixão ou harmonia por parte dos seus elementos, “os desacordos entre os co-fundadores, ou entre a equipa da start-up, e os investidores” ou ainda “perder o foco” no projeto que desenvolvem.

A resolução do problema de construção de equipas tem necessariamente de passar por estes aspetos agora referidos no sentido de fazer com que todos os elementos das equipas participem nos esforços de adaptação e de preenchimento de lacunas detetadas.

A comunicação empática e constante com o mercado e com os utilizadores e/ou consumidores deve ser também um dos objetivos de qualquer equipa de uma organização, seja ela micro ou uma gigante multinacional. A satisfação das necessidades e dos quereres ou desejos dos clientes e utilizadores/consumidores é fundamental para gerar valor e, portanto, para garantir a sobrevivência das equipas e das organizações.

Fazer com que a diversidade de competências nas equipas seja uma realidade é um esforço que deve ser exigido a todos os membros das equipas. A criatividade e a resolução de problemas andam sempre de mãos dadas, por isso, quanto maior for o leque de pontos de vista maior será o número de pontos relevantes disponíveis para construir soluções pertinentes.

Então como construir uma equipa que percorra uma linha de aprendizagem não só com as boas práticas, mas também com os erros e que mantenha o foco na excelência enquanto cresce?

Para além da manutenção de todas as boas características já referidas (foco, diversidade, centrada nas pessoas, etc.) é importante que todos os elementos das equipas partilhem de forma consciente um senso de propósito individual, em equipa e organizacional.

“Um bom propósito organizacional exige a busca da grandeza no serviço aos outros.” – Bryan Walker, Diretor de Design da IDEO

Muitos de nós já tiveram a oportunidade de refletir sobre o benefício de ter um senso de propósito na nossa vida e como isso é fundamental para o nosso bem-estar. Não é importante a idade com que isso acontece, o importante é que aconteça.

A vida das pessoas torna-se mais harmoniosa e as organizações apresentam melhores resultados e melhor desempenho quando o propósito que as suporta nasce no interior e por isso é real.

Encontrar um propósito que possa ser um grito de guerra para sua equipa é um dos primeiros passos de como criar uma mudança transformacional na sua organização. Por que sua empresa existe além de ganhar dinheiro?”

 

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As equipas não são só fundamentais no crescimento sustentável das pequenas e médias empresas. As equipas são também cruciais nas grandes empresas onde a velocidade de atualização requerida é exponencial face ao ambiente de mudança constante dos mercados.

As equipas nas organizações são como embarcações a remo com timoneiro pelo que deverão desenvolver a sua atividade em perfeita sincronização, onde o equilíbrio da equipa é mais importante que o talento individual.

Cada membro da equipa deve estar consciente das suas responsabilidades e dos seus actos, competindo com os adversários no exterior e colaborando internamente com os membros da equipa, dando simultaneamente espaço ao timoneiro como orientador da ação.

“A capacidade de uma organização para melhorar as habilidades existentes e aprender novas é a mais defensável vantagem competitiva de todas.” – Gary Hamel

Desenvolver novas competências e aprender com os erros melhora os resultados das equipas. Isto significa que os membros de uma equipa ou equipas estão a trabalhar para um propósito e metas comuns e ao fazê-lo, estão a partilhar as suas diferentes capacidades desempenhando papéis complementares e em colaboração uns com os outros.

Um propósito comum que seja claro e convincente é a cola que une um grupo de indivíduos. É a base sobre a qual o “nós” coletivo de uma equipa real é construído. O propósito desempenha esse papel crítico porque é a fonte do sentido e significado que as pessoas procuram no que fazem.”

As organizações têm tendência a ter um bom desempenho quando os seus colaboradores trabalham efetivamente em equipa. Isso acontece não só porque se cria sinergia (o todo é maior que a soma das partes), mas também porque trabalhando em conjunto uma equipa pode partilhar perspetivas, experiências e competências individuais para resolver problemas não definidos ou mal articulados, criando soluções que estariam fora do alcance de um só colaborador.

Para além de melhorar o desempenho das equipas e das organizações, o trabalho efetivo em equipa beneficia também os indivíduos, pois permite um suporte mútuo e uma aprendizagem constante, gerando um sentimento de pertença e compromisso.

Resolver problemas é uma necessidade constante no seio das equipas de uma organização. Compreender os utilizadores, consumidores ou colaboradores de uma organização e questionar os modelos existentes leva-nos muitas vezes a reformular o problema e a encontrar novos contextos mais ricos e mais amplos.

Para isso as organizações precisam de novas competências e um novo estado de espírito que abrace a empatia, o pensamento integrativo, o otimismo, a experimentação e a colaboração. A empatia é um combustível de alto rendimento que nos leva à realização de projetos com paixão e com propósito partilhado com todos os que interagem com a organização.

Se aceitarmos estas afirmações como úteis para reflexão na resolução de problemas das organizações, então face às previsões acerca de  Data Science, Machine Learning, and AI for 2018, teremos de levantar algumas questões:

Como criar um propósito comum nos membros de equipas que se confrontam com este problema?

“Previsão 1: Tanto a produção do modelo quanto a preparação dos dados será cada vez mais automatizada. As maiores operações de ciência de dados convergem em uma única plataforma (de muitas disponíveis). Ambas as tendências são em resposta ao movimento de aproveitamento para eficiência e eficácia. Em poucas palavras, permitindo que menos cientistas de dados façam o trabalho de muitos… trabalhar em código é incompatível com a grande necessidade de qualidade, consistência, colaboração, velocidade e facilidade de uso da organização.”

Como integrar e desenvolver novas competências de forma a dar resposta à evolução das diferentes abordagens de negócio?

“Previsão 2: a ciência de dados continua a desenvolver especialidades que significam que o cientista mítico dos dados da “pilha completa” desaparecerá…

Da mesma forma, as necessidades de diferentes indústrias têm tão divergido tanto nas suas aplicações especiais de análise preditiva que a experiência da indústria é tão importante quanto a competência em ciência de dados… Quem contratar está à procura dessas competências e experiências específicas.”

Como colmatar a mudança de direção de conteúdo funcional de muitos colaboradores?

“Previsão 3: Os cientistas (não-dados) realizarão um volume de análises bastante sofisticadas maior do que os cientistas de dados… a realidade é que as plataformas analíticas avançadas, as plataformas de mistura e as plataformas de dados simplesmente se tornaram mais fáceis de usar, especificamente em resposta às demandas desse grupo de utilizadores.”

Como preparar as equipas das organizações para a evolução a Aprendizagem profunda?

“Previsão 4: Aprendizagem profunda é complicada e difícil. Nem muitos cientistas de dados são especializados nesta área e isso reterá a aplicação da IA até que as plataformas de aprendizagem profunda sejam significativamente simplificadas e produzidas…

Previsão 5: Apesar do hype, a penetração de IA e a Aprendizagem profunda no mercado mais amplo serão relativamente limitadas e mais lentas do que se pensa.”

Como consciencializar os colaboradores das organizações para os eventuais efeitos nefastos do mau uso de IA?

“Previsão 6: O público (e o governo) começarão a analisar as implicações sociais e de privacidade da IA, tanto intencional quanto não intencional.”

Sendo o propósito de uma organização a direção que pretende seguir, apoiada no seu trajeto pelos valores e hábitos partilhados pelos colaboradores (cultura), como podem as equipas gestoras de talentos manter o barco com remada forte e direção certa face a estas previsões?

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A simplicidade é o acelerador fundamental da ação focada. Se ele pode simplificar o seu ambiente de trabalho sem diluir as suas capacidades principais, ele pode aumentar significativamente a sua velocidade, produtividade e eficácia. Quando as empresas consideram os seus investimentos em soluções de dados e análises, a simplificação é absolutamente essencial para ajudar a controlar os custos e para se concentrarem na obtenção dos resultados desejados.”

Ser bom a lidar com os clientes especialmente quando eles são difíceis, estar disposto a falhar e aprender com os erros, desejar e trabalhar a melhoria contínua, estar aberto e adaptar-se à mudança, trabalhar o crescimento pessoal e do grupo ou gerir bem os recursos financeiros podem ser algumas das características de uma PME de sucesso quando o meio ambiente onde uma organização está inserida, é estável e conhecido.

Contudo, num ambiente em que as interações são mais complexas e imprevisíveis, parece ser a simplicidade quem mais pode cativar cada um dos colaboradores de uma organização e clientes.

Construir confiança e empatia

Tomar decisões ou fazer escolhas (não são necessariamente a mesma coisa), torna-se cada vez mais difícil num ambiente onde o inesperado circula livremente e onde, as mais bem elaboradas previsões não conseguem minimizar essa dificuldade.

Onde existe instabilidade e velocidade na mudança pede-se simplicidade, por ser a única forma de rentabilizar o tempo e de criar harmonia no quotidiano de todas as partes interessadas.

Parece ser sensato dizer que nós queremos produtos simples, orientações simples, e queremos que as coisas funcionem de forma rápida e simples na primeira vez, sem muito esforço.

Assim, para poderem propor aquilo que as pessoas querem, as empresas, além de ouvir todas as partes interessadas, também precisam de conceber os seus produtos e serviços a partir da pesquisa nas necessidades e quereres do cliente.

Esta pesquisa é também uma fonte de confiança que se estabelece com o mercado.

Obter uma perspetiva diferente

Para se chegar à “simplicidade”, é preciso, muitas vezes, um trabalho árduo e complexo.

Provavelmente é fácil imaginar muitas situações simples que nós tivemos nas organizações e que vieram a tornar-se complexas por não refletirmos nas vantagens da simplicidade e, portanto, de mais difícil resolução depois dessa desatenção.

Quando observarmos uma palete, um contentor ou um jogo tipo lego, verificamos que todos estes objetos representam a simplicidade. São objetos que representam algo como acessibilidade económica, garantia de grande capacidade de realização da intenção da organização, capacidade de aglomeração e, portanto, escala ou facilidade de planeamento, o mesmo que dizer, previsibilidade de resultados.

Nas organizações, principalmente quando as equipas são interdisciplinares e a diversidade está presente, se o comportamento organizacional é simples deve manter-se simples, isto é, com resultados previsíveis, sem aumento de recursos, com boa capacidade de resposta e de fácil reorganização face à mudança.

Se, pelo contrário, procuramos gerir a complexidade das pessoas ou grupos de pessoas, devemos procurar saber onde está a ignição ou função principal, para aumentar a capacidade de realização ou para gerir conflitos resultantes da interação das as pessoas e com as coisas.

Estar consciente de si mesmo

Mas só porque eu sou capaz e isto funciona, não significa que eu vou ter de adicionar algo novo como se fosse necessária a novidade. Eu tenho de me centrar nas pessoas e perceber que não possuem todos os mesmos conhecimentos ou competências.

Antes de apresentarmos produtos e serviços aos consumidores e utilizadores devemos construir uma hierarquia de características sensata na nossa proposta de mercado para que os usuários não se distraiam com características e funções que não precisam ou não desejam. Afinal a maior parte dos objetos que utilizamos no quotidiano não são (ou não deveriam ser) jogos com elevado índice de dificuldade de execução ou com fortes características aditivas.

Do mesmo modo, para as pessoas que colaboram nas organizações, não devem ser construídas hierarquias pesadas e matriciais, de forma a simplificar a observação da autoridade e a facilitar os fluxos de comunicação.

“Simplicidade e complexidade precisam uma da outra. Quanto mais complexidade há no mercado, mais o que é mais simples se destaca. E porque a tecnologia só vai continuar a crescer em termos de complexidade, há um benefício económico claro na adoção de uma estratégia de simplicidade que ajudarão a colocar o seu produto à parte.” – John Maeda

 

 

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Nas organizações, os novos produtos, serviços inovadores, processos eficientes e eficazes, tecnologias disruptivas, modelos de negócios sustentáveis, etc., raramente acontecem por acaso! Tudo isso tem de ser pensado e desenhado!

A descoberta de oportunidades surpreendentes não se faz exclusivamente por serendipidade. Essa descoberta de oportunidades únicas é quase sempre o resultado de um trabalho criativo e de uma pesquisa consistente, orientada e centrada nas pessoas.

Sabemos que continua a ser uma grande preocupação que o insucesso empresarial seja muitas vezes o verdadeiro retorno dos esforços de inovação e dos respetivos investimentos. Na origem desse insucesso podem estar as más ideias, um número não suficiente de boas ideias, o apoio a ideias erradas, um modelo de negócio demasiado otimista ou com lacunas graves, a falta de capacidade de execução ou ainda a falta de preparação da liderança e dos colaboradores para o mercado presente.

A competência de usar espaços brancos

Muitas vezes, ou mesmo quase sempre, este insucesso está ligado à falta de visualização por parte da liderança de “espaços brancos”, onde, com a inserção de ações pertinentes, seria possível proporcionar um alívio na batalha contra as adversidades.

Um “espaço em branco” é um lugar onde um líder de uma organização pode descobrir oportunidades únicas. Quando um líder de uma organização consegue, para além de toda a atividade convencional e formal de gestão, utilizar eficazmente esse espaço em branco, ele está a criar uma ordem, que apesar de invisível, vai melhorar a legibilidade de qualquer intenção ou ação proposta.

Utilizar esse espaço em branco significa que não se está unicamente dependente de um conjunto de pessoas, representativo unicamente de um determinado volume de dados para análise.

É bom lembrar, que os dados representam o passado, o que nos conduz sempre ao que deve ser ou não feito e não ao que pode ser feito.

Este procura de “espaços em branco” pode ser usado para identificar mercados inteiramente novos, ou pode tão só, ser usado para mapear inovação incremental em produtos ou serviços na nossa organização.

É certo que, quando nós respondemos ao apelo de um espaço em branco, se apodera de nós um sentimento dramático, que nos tira da rotina e dos preconceitos da cartilha da liderança, mas que por outro lado se pode transformar em paixão e energia, à medida que visualizamos o caminho do sucesso.

Por força desse apelo, somos desafiados, enquanto lideres, a tomar consciência dos nossos ambientes (espaços brancos e preenchidos a negro), tanto internos como externos, e a repensar as formas de controlo bem como a assumir uma atitude de abertura e colaboração.

Focos distintos, mas complementares

Seja numa organização pequena ou numa de grande dimensão (qualquer que seja a métrica usada) um líder talentoso vai encontrar sempre três focos distintos para liderar.

Ao procurar espaço para desenvolver o seu talento enquanto líder e, portanto, ao procurar desvendar os caminhos para o desenvolvimento da sua organização, um líder ao leme de uma equipa ou de grupo, é sempre confrontado com o seu mercado.

Quer isto dizer que o seu o foco está em encontrar as lacunas existentes nos mercados, nos produtos ou nos serviços, que possam representar oportunidades para criar modelos de negócio (melhorias a propor ou vazios a preencher).

Procura-se assim, sobretudo, uma aproximação ao desconhecido ou oculto através de um processo centrado nas pessoas. Aqui também as necessidades não articuladas dos clientes da organização podem representar uma lacuna a preencher.

Um outro foco, dirigido para a dimensão interna da organização, vai permitir não só, identificar as capacidades da organização para lidar com novas oportunidades ou enfrentar algumas ameaças, como também identificar os espaços em branco nas competências dos colaboradores e da liderança.

Quando apontamos o foco para nós mesmos, devemos estar conscientes que alguns dos nossos medos mais profundos possivelmente começam a emergir e teremos, então, de os transformar em alavancas para o sucesso. As pessoas tendem a procurar mostrar-se competentes mesmo reconhecendo falta de competências em alguns domínios.

Finalmente quando procuramos focar o futuro, entramos no caminho da prospetiva na estratégia. “No nosso entender a metodologia prospetiva é fundamental para fornecer e sistematizar as visões de futuro, sob a forma de cenários, e assim fornecer ao decisor os elementos fundamentais e os futuros possíveis, aceitáveis, razoáveis ou plausíveis em função das decisões do presente…”

O nosso ponto de partida

Quando se fala de futuro ou de prospetiva o nosso ponto de partida pode variar muito, desde um perfil mais analítico até ao do sonhador ou visionário.

Resta-nos então identificar qual o nosso ponto de partida, qual o nosso espaço em branco, como o preenchemos e onde queremos chegar.

 

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Procurar fazer uma reflexão sobre a organização onde trabalhamos tanto nos pode trazer um sorriso como uma carga de ansiedade não saudável. Tudo depende da nossa vontade de vencer e de querer fazer parte de um processo de transformação!

Por exemplo, numa organização, “criar o ambiente certo” para inovadores pode ajudar uma empresa a preparar-se para o futuro, enquanto executa o seu negócio principal para o sucesso de hoje.

Uma organização é um sistema, parte de um ambiente maior (também sistémico) onde está inserido. O conhecimento mais aprofundado desse sistema e dos seus subsistemas, entradas e saídas, pode levar-nos a uma melhor compreensão do nosso papel nesse mundo e do propósito da organização onde colaboramos.

Conhecer melhor a organização permite-nos desenvolver algumas competências para o futuro, muitas delas transversais ao domínio de negócio de diferentes organizações, e dessa forma ficar mais confortável com possíveis zonas de desconforto e adversidades extremas que possam surgir.

Ser capaz de construir o futuro e prevenir danos com consequências desastrosas, para a nossa vida e para a organização, é uma competência que só conseguimos desenvolver quando o nosso conhecimento da complexidade organizacional e ambiental é elevado.

Criar um ambiente saudável e motivador, onde possamos desenvolver as nossas capacidades e habilidades, é cada vez mais resultado de viver e pensar em rede e também, fruto dessas conexões, de influenciar e envolver os outros na procura do significado das coisas.

Neste sentido o futuro já chegou e traz provavelmente consigo o retorno das chefias intermédias capazes de “gerir pessoas”, tarefa que as chefias de topo parecem ter desempenhado com pouco sucesso em muitos casos. É bom notar que isto não implica necessariamente uma hierarquia vertical dada a natureza complexa das redes formais e informais. Influenciar torna-se o verdadeiro propósito da liderança que acabará por deixar de perseguir o “ser ele próprio, carismático ou autoritário” para passar a ser um gestor forte em comunicação, capaz de dar feedback construtivo, de resolver conflitos e de fazer uma aprendizagem individualizada.

As redes, como sabemos, são globais e por essa razão a influência que somos capazes de imprimir desdobra-se pelo mundo fora. Ao sermos capazes de conectar as várias gerações que compõem o mundo organizacional estamos também a dar os passos fundamentais para o exercício de uma liderança eficaz e gratificante para todos as partes interessadas na organização e no seu meio ambiente .

Então o que importa fazer?

É importante trabalhar a inclusão de todas as gerações nas ações que é urge implementar ou desenvolver, em vez de as pôr simplesmente a observar.

Importa desenvolver a flexibilidade como forma de motivar todos os membros da organização. Os conceitos de agilidade, disrupção e digitalização ainda continuam valorizados na linguagem da liderança e na maior parte dos colaboradores.

Importa abraçar o conceito de “machine learning” e uma maior compreensão da (AI) inteligência artificial, pois podem permitir uma melhor gestão das organizações.

Importa promover um clima propício ao desenvolvimento da curiosidade. Essa necessidade enorme de encontrar respostas para dúvidas ou problemas é, muitas vezes a alavanca principal da atividade científica ou na inovação.

Importa compreender que as gerações mais novas acreditam na generosidade e na perseverança e que esses valores, sendo respeitados, criam laços e sentido de compromisso com o propósito das organizações.

Importa desenvolver a interdisciplinaridade provocando a interseção de pontos de vistas diferentes que darão origem a novas ideias e à criação de valor.

Importa desenvolver uma mentalidade de experimentação e aprendizagem, fruto de reflexão e de pensamento crítico.

Resumindo:

É preciso que o desenvolvimento das novas chefias ou lideres não sejam fruto de um qualquer pacote de formação, mas sim de uma jornada de aprendizagem, multidisciplinar e feita à medida.

Preparar ou construir uma liderança passa por avaliar os pontos fortes e comportamentos de um candidato, facilitar a construção de competências à sua medida, disponibilidade para implementar a aprendizagem e partilha no mundo real, construir um “modelo” de avaliação da sua progressão e dar feedback transparente.

 

 

A mentalidade é comumente descrita como o filtro através do qual as pessoas dão sentido ao mundo. Os psicólogos cognitivos usam o termo mapa mental ou esquema cognitivo para descrever o conceito de mentalidade quando abordam a questão de como as pessoas fazem sentido do mundo em que interagem.

Mas definida de uma forma simples, a mentalidade é uma atitude mental habitual (um conjunto de pressupostos, métodos e notações) ou característica que determina como nós vamos interpretar e responder a determinadas situações.

Ser um líder com mentalidade DT é ter uma atitude mental que começa por abraçar a empatia.

Ser um líder significa aceitar o risco e desenvolver a confiança em vez de promover a eficiência do “tudo como de costume”.

Ser líder é também patrocinar a colaboração e aprendizagem em vez de se resumir ao saber da sua especialidade.

Ser líder é saber ouvir, mesmo que a verdade doa, em vez de se refugiar em normas, procedimentos ou constrangimentos de tempo.

Ser líder de uma organização ou ser líder numa organização é olhar para fora e para dentro da organização e compreender a cultura e o contexto dos problemas dos clientes e dos colaboradores.

Quando nos colocamos no lugar do cliente, que aspetos da sua experiência importa melhorar ou que aspetos não tem ainda uma resposta?

Nós constatamos com facilidade que as tecnologias bem como a dinâmica competitiva se movem rapidamente no ambiente organizacional, e por isso é de extrema importância que a liderança de uma organização procure redesenhar as experiências dos clientes alargando, por exemplo, o leque de pontos de contacto na jornada do cliente ou introduzindo novos instrumentos de natureza digital.

Mas, se é precioso que a excelência esteja impregnada na experiência dos clientes não deixa de ser fundamental também que a experiência dos colaboradores seja sentida pela liderança como uma outra jóia que brilha no universo organizacional. 

O design thinking fornece um excelente meio para a liderança se concentrar na experiência pessoal do colaborador (compreender os problemas) e criar processos, novas soluções e ferramentas que contribuem diretamente para a satisfação dos funcionários e para alcançar melhores níveis de produtividade.

Uma liderança centrada nas pessoas significa procurar identificar quais as necessidades (conhecidas, mas não satisfeitas, não articuladas ou ocultas) quer dos clientes quer dos colaboradores da organização.

A definição de um problema raramente se resume a uma queixa relatada ou sentida.

Pelo contrário pesquisando, observando e através do contacto direto com as pessoas é possível identificar problemas que precisam ser resolvidos e que por sua vez possibilitam a recolha de informação útil à melhoria ou criação de produtos, serviços ou mesmo processos e metodologias de trabalho internos à organização.

“Em vez de pensar em construir, construa para pensar” – Tim Brown

Uma liderança que também facilita a experimentação/construção de protótipos e aposta na colaboração facilmente dirige a sua ação criativa na procura de soluções em duas vertentes, a dos clientes e a dos colaboradores (sejam eles consumidores ou utilizadores). O sucesso da liderança dos colaboradores, fruto da resolução dos seus problemas, impacta diretamente na resolução dos problemas dos clientes devido ao meio ambiente favorável ao compromisso que é criado.

Os líderes com uma mentalidade de Design thinking dentro de um processo criativo (definição do problema, pesquisa de informação, geração de ideia e avaliação) devem ser facilitadores, mas também provocadores, devem ser condutores, mas também motivadores.

Deve ser uma liderança que abraça a ambiguidade e que constrói protótipos de visões, de produtos e de serviços e ainda de experiências mágicas dos seus colaboradores. Protótipos que irão ser testados e que produzirão retorno de informação útil para encontrar as soluções integradas que satisfação as necessidades de todas as partes interessadas (cliente, fornecedores, colaboradores, etc.)

Nota: “Pode-se criar um protótipo com qualquer coisa. Pode-se obter uma resposta para uma grande questão usando o mínimo de energia e despesas possíveis, mas não à custa da fidelidade dos resultados. Não se trata apenas de alumínio, espuma, cola e madeira prensada. Um vídeo da experiência humana da proposta de projeto é um protótipo. Usada corretamente, uma planilha de Excel é uma ferramenta de prototipagem maravilhosa.”

Um líder abraça a complexidade, porque é de onde as melhores respostas vêm.

E por isso é fundamental que o líder desenvolva um pensamento integrativo, isto é, a capacidade de pegar em duas ideias opostas para criar uma solução que resulta da combinação dos pontos mais relevantes de cada uma dessas ideias.

Um líder é otimista, mas não em excesso, positivo e celebra os pequenos sucessos.

Não é fácil encontrar líderes desta natureza! 🙂

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Algumas empresas querem ser mais ágeis, mais rápidas nas respostas aos desafios e mais eficazes na ação.

Essas empresas procuram proporcionar grandes experiências aos clientes e para isso podem aliar a gestão lean com as vantagens das novas tecnologias para reduzir custos, melhorar a qualidade, construir confiança e  criar valor.

Para conseguirem fazer isso as empresas precisaram de encontrar uma nova forma de gerir a organização! Precisaram de combinar as tecnologias digitais (disponíveis e a incorporar) com a capacidade de operacionalização, mas de uma forma integrada e não como um somatório de realizações individuais.

Para se chegar a este estado de operacionalização a mudança tem de ser impulsionada em toda a organização (uma perspetiva holística) e têm de encontrar um caminho de transformação que se adapte à sua situação.

Nesse sentido é preciso acabar com os silos departamentais e focar o trabalho nos clientes, isto é, é preciso oferecer uma experiência única que passa por manter o foco na jornada do cliente e nos processos internos que a suportam e que são transversais à organização.

É preciso deixar para trás o formato de equipas condicionadas por líderes decisores e criar equipas autónomas e multifuncionais dedicadas às jornadas de clientes. O tipo de equipa, de excelência desejável, vai resultar das iterações desenvolvidas que permitem testar as várias configurações possíveis respondendo assim com flexibilidade às mudanças de necessidades do cliente.

É preciso introduzir tecnologias flexíveis e ferramentas de gestão de processos de negócios (BPM) e partilhá-las em todas as jornadas de clientes.

A tomada de decisão deve ser mais suportada por informação em tempo real o que implica uma avaliação de desempenho (eficiência, eficácia e efetividade) em períodos de tempo mais curtos devidamente alavancada com incentivos para os colaboradores.

É preciso agilizar as empresas, valorizando a velocidade na capacidade de resposta aos clientes e a aprendizagem com as suas jornadas. As empresas devem procurar reinventar de forma holística essas jornadas em vez de procurar pequenas melhorias incrementais. Com essa reinvenção é possível elogiar a simplicidade e agilizar processos.

Como podemos então criar experiências distintas aos clientes?

Se por um lado, as empresas precisam de combinar, de forma integrada, as tecnologias digitais com uma capacidade de operacionalização otimizada das jornadas do cliente, o que se traduz numa verdadeira revolução organizacional, por outro lado, as empresas precisam de estar atentas às experiências dos seus colaboradores para assegurarem um desempenho de excelência.

Vejamos então algumas alavancas para implementar uma nova forma de  criar experiências únicas aos clientes de uma empresa e sugeridas por Digital MacKinsey:

  • Digitalização – Digitalizar a experiência do cliente e as operações diárias.
  • Automação inteligente de processos – Introduzir IPA para reduzir tarefas humanas.
  • Analítica avançada – Fornece dados para facilitar tomada de decisão.
  • Terceirização de processos de negócio – Usar recursos fora do negócio principal para completar tarefas.
  • Redesenho Lean de processos – Agilizar processos e eliminar desperdícios.

“Para implementar essas alavancas, as organizações precisam assegurar que cada alavanca é usada para o máximo efeito. Devem ainda assegurar que cada alavanca está na sequência correta e finalmente, devem fazer com que as alavancas interajam entre si para proporcionar um efeito multiplicador.”

Mas não basta! Criar experiências distintas aos clientes está também dependente de uma boa experiência dos colaboradores.

Agora a função de RH terá de desempenhar um papel muito importante na busca de novas formas de criar compromisso no, cada vez mais diversificado, conjunto de colaboradores e romper com os silos organizacionais.

A própria função RH deve agora reinventar-se e dar aos profissionais de RH a oportunidade de expandir suas competências para se tornarem mais aptos a ouvir, para identificar as necessidades mais ocultas e necessidades não articuladas, para se tornarem experientes com tecnologia analítica de maneira a complementar a fundamentação das suas decisões e para iniciarem processos de cocriação, como forma de resolver os problemas dos colaboradores.

Desenhar os serviços dos colaboradores poderá ser uma alternativa saudável ao processamento administrativo usual de muitos departamentos RH.

Semelhante à experiência do cliente, o design do serviço é sobre o design e a implementação de interações que ocorrem ao longo da jornada do cliente.

Sem um bom design de serviços a experiência do cliente sofre!

Resumindo:

As relações humanas com os produtos, serviços ou experiências estão em constante evolução e mesmo assim ainda é possível fazer algumas previsões para o futuro.

Eric Flowers, cofundador da Practical Service Design, diz que o design de serviços é eficaz na mudança de direção e na oferta de valor para clientes e organizações, independentemente da indústria. As suas seis principais previsões para o futuro do design  são:

“…-A única coisa que os clientes irão anexar ao seu nome será o serviço que lhes fornecer. Se o futuro do design do serviço é para vir a ser concretizado, o que uma empresa faz não será tão importante ou relevante como o que uma empresa faz para servir…elas serão conhecidas mais por esse tipo de necessidade que satisfazem.

-O design do Touchpoint não será suficiente para diferenciar. A diferenciação virá através do relacionamento que tem com os seus clientes e da forma como serve ao longo do tempo.

-As experiências holísticas requerem organizações holísticas. O que se produz espelha como se está organizado. A coordenação entre departamentos será a chave para a obtenção de resultados.

-Os clientes adotam expectativas mais fluidas. Eles esperam que os serviços de qualidade sintam o mesmo em todas as categorias e contextos.

-A experiência dos funcionários tornar-se-á uma prioridade. Design thinking será aplicado à forma como as experiências são produzidas e os serviços prestados internamente.

-A construção da capacidade de design de serviços será essencial. O design de serviços é uma ferramenta muito necessária para que as empresas melhorem o design e ofereçam experiências excecionais aos clientes.”

 

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Todo nós já experimentamos sensações de desconforto que resultam de duas crenças contraditórias.

A existência de uma dissonância, sendo psicologicamente desconfortável, tende a motivar as pessoas a procurar alcançar consonância, isto é, a procurar uma zona de conforto.

Nas pequenas e medias empresas os executivos não negam a necessidade de inovar para serem competitivos, mas os riscos que isso possa comportar levam-nos para uma zona de desconforto.

A fim de reduzir essa dissonância, as pessoas podem procurar novas informações que contestam a conexão entre inovação e competitividade. Esta nova informação pode servir para reduzir o desconforto causado pela dissonância que a pessoa experimenta.

Phil Rosenzweig escreveu: “É possível acreditar honestamente que se tem uma estratégia de mercado vencedora quando, na verdade, não se tem. Às vezes, isso acontece porque as forças não controladas mudam. Mas, noutros casos, a causa é o pensamento não-intencional difuso.

Os economistas comportamentais identificaram muitas características do cérebro que muitas vezes são pontos fortes no nosso ambiente mais amplo e pessoal, mas que podem funcionar contra nós no mundo da tomada de decisões empresariais. Os piores ofensores incluem o excesso de otimismo (nossa tendência a esperar o melhor e acreditar demais em nossas próprias previsões e habilidades), ancorando (atando nossa avaliação de algo a um ponto de referência arbitrário), aversão à perda (enfatizando demais em evitar desvantagens e evitando os riscos que valem a pena), o viés de confirmação (ponderação excessiva de informações que validam as nossas opiniões), e o viés de campeão (atribuindo a uma ideia o mérito que é baseado na pessoa que o propõe).”

É relativamente fácil admitir que a nossa abordagem de negócios é formada por ilusões, erros de lógica e os julgamentos falhados que distorcem a nossa compreensão das verdadeiras razões que determinam o desempenho de uma organização.

Quando, por exemplo as vendas de uma empresa e os lucros são elevados, as pessoas concluem que essa organização tem uma estratégia avassaladora, um líder com visões extraordinárias, colaboradores plenos de talento e uma cultura excelente que prima, inclusive, pela inovação.

Mas quando os resultados não são tão bons, então o líder afinal não era tão bom, os colaboradores não colaboram e a cultura era fictícia.

O que acontece muitas vezes é que pouco mudou, mas a imagem criada anteriormente cria um efeito de aura, que não é mais que uma ilusão.

Na verdade, hoje existe uma preocupação com a qualidade da tomada de decisões confirmada com pesquisas que indicam que tendências cognitivas afetam as decisões estratégicas mais importantes tomadas pelos gestores das melhores empresas.

A título de exemplo, consideremos duas propensões cognitivas que são comuns e relevantes num contexto económico, onde a inovação é a palavra do dia:

– Excesso de confiança e dissonância cognitiva. Uma e outra podem trazer desconforto!

Ou talvez não.

Se por um lado, um indivíduo que tenha excesso de confiança sobrestima a precisão de suas informações privadas.

Por outro lado, a dissonância cognitiva acontece quando percecionamos uma incompatibilidade de elementos de informação que nos causa tensão e para nos libertarmos dessa tensão criamos a propensão para adquirir ou perceber informações em conformidade com um conjunto de coisas desejadas.

Se um consultor ou um analista emite uma previsão em privado favorável de lucros elevados a sua tendência para interpretar as informações subsequentes de forma a criar sustentação à informação previamente fornecida.

Há, contudo, um outro lado da moeda na dissonância cognitiva que Javier Santiso, professor da ESADE, traz e com muita graciosidade e pertinência.

“Mas talvez a chave para este reposicionamento de sucesso resida precisamente na capacidade do FMI para se regenerar e se subverter, ou seja, apresentam dissonância cognitiva e de inovação, não só por tolerar essa dissonância interna, mas também pela sua promoção.

Este é um feito de grande mérito, uma vez que, pública ou privada, nacional ou internacional, nenhuma das nossas instituições tendem a favorecer a dissonância. Muito pelo contrário, eles tendem a limitar o potencial disruptivo, inovador.

…A dissonância cognitiva é tão rara e preciosa como uma pérola branca. É fundamental para a promoção da inovação e para se reinventar a si mesmo.”

Provavelmente podemos ver o paralelo entre os processos de Dissonância Cognitiva, isto é, experimentar cognições incompatíveis e a necessidade de reduzir os sentimentos desagradáveis (agir para resolver o conflito) e a Tensão Criativa, isto é, experimentar a diferença entre a realidade num dado momento e resultado desejado (agir para criar algo reduz a tensão).

Nós não gostamos de ouvir a dissonância cognitiva dizer:

O que eu quero é isto…, Mas eu não tenho isto!

Para aliviar esse desconforto temos de libertar energia e recursos e pôr a criatividade a preencher as lacunas criadas por essa dissonância.

 

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Este texto é uma inspiração de um artigo meu já publicado neste blogue com o intuito de relembrar aprendizagens do passado.