Procurar fazer uma reflexão sobre a organização onde trabalhamos tanto nos pode trazer um sorriso como uma carga de ansiedade não saudável. Tudo depende da nossa vontade de vencer e de querer fazer parte de um processo de transformação!

Por exemplo, numa organização, “criar o ambiente certo” para inovadores pode ajudar uma empresa a preparar-se para o futuro, enquanto executa o seu negócio principal para o sucesso de hoje.

Uma organização é um sistema, parte de um ambiente maior (também sistémico) onde está inserido. O conhecimento mais aprofundado desse sistema e dos seus subsistemas, entradas e saídas, pode levar-nos a uma melhor compreensão do nosso papel nesse mundo e do propósito da organização onde colaboramos.

Conhecer melhor a organização permite-nos desenvolver algumas competências para o futuro, muitas delas transversais ao domínio de negócio de diferentes organizações, e dessa forma ficar mais confortável com possíveis zonas de desconforto e adversidades extremas que possam surgir.

Ser capaz de construir o futuro e prevenir danos com consequências desastrosas, para a nossa vida e para a organização, é uma competência que só conseguimos desenvolver quando o nosso conhecimento da complexidade organizacional e ambiental é elevado.

Criar um ambiente saudável e motivador, onde possamos desenvolver as nossas capacidades e habilidades, é cada vez mais resultado de viver e pensar em rede e também, fruto dessas conexões, de influenciar e envolver os outros na procura do significado das coisas.

Neste sentido o futuro já chegou e traz provavelmente consigo o retorno das chefias intermédias capazes de “gerir pessoas”, tarefa que as chefias de topo parecem ter desempenhado com pouco sucesso em muitos casos. É bom notar que isto não implica necessariamente uma hierarquia vertical dada a natureza complexa das redes formais e informais. Influenciar torna-se o verdadeiro propósito da liderança que acabará por deixar de perseguir o “ser ele próprio, carismático ou autoritário” para passar a ser um gestor forte em comunicação, capaz de dar feedback construtivo, de resolver conflitos e de fazer uma aprendizagem individualizada.

As redes, como sabemos, são globais e por essa razão a influência que somos capazes de imprimir desdobra-se pelo mundo fora. Ao sermos capazes de conectar as várias gerações que compõem o mundo organizacional estamos também a dar os passos fundamentais para o exercício de uma liderança eficaz e gratificante para todos as partes interessadas na organização e no seu meio ambiente .

Então o que importa fazer?

É importante trabalhar a inclusão de todas as gerações nas ações que é urge implementar ou desenvolver, em vez de as pôr simplesmente a observar.

Importa desenvolver a flexibilidade como forma de motivar todos os membros da organização. Os conceitos de agilidade, disrupção e digitalização ainda continuam valorizados na linguagem da liderança e na maior parte dos colaboradores.

Importa abraçar o conceito de “machine learning” e uma maior compreensão da (AI) inteligência artificial, pois podem permitir uma melhor gestão das organizações.

Importa promover um clima propício ao desenvolvimento da curiosidade. Essa necessidade enorme de encontrar respostas para dúvidas ou problemas é, muitas vezes a alavanca principal da atividade científica ou na inovação.

Importa compreender que as gerações mais novas acreditam na generosidade e na perseverança e que esses valores, sendo respeitados, criam laços e sentido de compromisso com o propósito das organizações.

Importa desenvolver a interdisciplinaridade provocando a interseção de pontos de vistas diferentes que darão origem a novas ideias e à criação de valor.

Importa desenvolver uma mentalidade de experimentação e aprendizagem, fruto de reflexão e de pensamento crítico.

Resumindo:

É preciso que o desenvolvimento das novas chefias ou lideres não sejam fruto de um qualquer pacote de formação, mas sim de uma jornada de aprendizagem, multidisciplinar e feita à medida.

Preparar ou construir uma liderança passa por avaliar os pontos fortes e comportamentos de um candidato, facilitar a construção de competências à sua medida, disponibilidade para implementar a aprendizagem e partilha no mundo real, construir um “modelo” de avaliação da sua progressão e dar feedback transparente.

 

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