From the monthly archives: Março 2018

As equipas não são só fundamentais no crescimento sustentável das pequenas e médias empresas. As equipas são também cruciais nas grandes empresas onde a velocidade de atualização requerida é exponencial face ao ambiente de mudança constante dos mercados.

As equipas nas organizações são como embarcações a remo com timoneiro pelo que deverão desenvolver a sua atividade em perfeita sincronização, onde o equilíbrio da equipa é mais importante que o talento individual.

Cada membro da equipa deve estar consciente das suas responsabilidades e dos seus actos, competindo com os adversários no exterior e colaborando internamente com os membros da equipa, dando simultaneamente espaço ao timoneiro como orientador da ação.

“A capacidade de uma organização para melhorar as habilidades existentes e aprender novas é a mais defensável vantagem competitiva de todas.” – Gary Hamel

Desenvolver novas competências e aprender com os erros melhora os resultados das equipas. Isto significa que os membros de uma equipa ou equipas estão a trabalhar para um propósito e metas comuns e ao fazê-lo, estão a partilhar as suas diferentes capacidades desempenhando papéis complementares e em colaboração uns com os outros.

Um propósito comum que seja claro e convincente é a cola que une um grupo de indivíduos. É a base sobre a qual o “nós” coletivo de uma equipa real é construído. O propósito desempenha esse papel crítico porque é a fonte do sentido e significado que as pessoas procuram no que fazem.”

As organizações têm tendência a ter um bom desempenho quando os seus colaboradores trabalham efetivamente em equipa. Isso acontece não só porque se cria sinergia (o todo é maior que a soma das partes), mas também porque trabalhando em conjunto uma equipa pode partilhar perspetivas, experiências e competências individuais para resolver problemas não definidos ou mal articulados, criando soluções que estariam fora do alcance de um só colaborador.

Para além de melhorar o desempenho das equipas e das organizações, o trabalho efetivo em equipa beneficia também os indivíduos, pois permite um suporte mútuo e uma aprendizagem constante, gerando um sentimento de pertença e compromisso.

Resolver problemas é uma necessidade constante no seio das equipas de uma organização. Compreender os utilizadores, consumidores ou colaboradores de uma organização e questionar os modelos existentes leva-nos muitas vezes a reformular o problema e a encontrar novos contextos mais ricos e mais amplos.

Para isso as organizações precisam de novas competências e um novo estado de espírito que abrace a empatia, o pensamento integrativo, o otimismo, a experimentação e a colaboração. A empatia é um combustível de alto rendimento que nos leva à realização de projetos com paixão e com propósito partilhado com todos os que interagem com a organização.

Se aceitarmos estas afirmações como úteis para reflexão na resolução de problemas das organizações, então face às previsões acerca de  Data Science, Machine Learning, and AI for 2018, teremos de levantar algumas questões:

Como criar um propósito comum nos membros de equipas que se confrontam com este problema?

“Previsão 1: Tanto a produção do modelo quanto a preparação dos dados será cada vez mais automatizada. As maiores operações de ciência de dados convergem em uma única plataforma (de muitas disponíveis). Ambas as tendências são em resposta ao movimento de aproveitamento para eficiência e eficácia. Em poucas palavras, permitindo que menos cientistas de dados façam o trabalho de muitos… trabalhar em código é incompatível com a grande necessidade de qualidade, consistência, colaboração, velocidade e facilidade de uso da organização.”

Como integrar e desenvolver novas competências de forma a dar resposta à evolução das diferentes abordagens de negócio?

“Previsão 2: a ciência de dados continua a desenvolver especialidades que significam que o cientista mítico dos dados da “pilha completa” desaparecerá…

Da mesma forma, as necessidades de diferentes indústrias têm tão divergido tanto nas suas aplicações especiais de análise preditiva que a experiência da indústria é tão importante quanto a competência em ciência de dados… Quem contratar está à procura dessas competências e experiências específicas.”

Como colmatar a mudança de direção de conteúdo funcional de muitos colaboradores?

“Previsão 3: Os cientistas (não-dados) realizarão um volume de análises bastante sofisticadas maior do que os cientistas de dados… a realidade é que as plataformas analíticas avançadas, as plataformas de mistura e as plataformas de dados simplesmente se tornaram mais fáceis de usar, especificamente em resposta às demandas desse grupo de utilizadores.”

Como preparar as equipas das organizações para a evolução a Aprendizagem profunda?

“Previsão 4: Aprendizagem profunda é complicada e difícil. Nem muitos cientistas de dados são especializados nesta área e isso reterá a aplicação da IA até que as plataformas de aprendizagem profunda sejam significativamente simplificadas e produzidas…

Previsão 5: Apesar do hype, a penetração de IA e a Aprendizagem profunda no mercado mais amplo serão relativamente limitadas e mais lentas do que se pensa.”

Como consciencializar os colaboradores das organizações para os eventuais efeitos nefastos do mau uso de IA?

“Previsão 6: O público (e o governo) começarão a analisar as implicações sociais e de privacidade da IA, tanto intencional quanto não intencional.”

Sendo o propósito de uma organização a direção que pretende seguir, apoiada no seu trajeto pelos valores e hábitos partilhados pelos colaboradores (cultura), como podem as equipas gestoras de talentos manter o barco com remada forte e direção certa face a estas previsões?

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A simplicidade é o acelerador fundamental da ação focada. Se ele pode simplificar o seu ambiente de trabalho sem diluir as suas capacidades principais, ele pode aumentar significativamente a sua velocidade, produtividade e eficácia. Quando as empresas consideram os seus investimentos em soluções de dados e análises, a simplificação é absolutamente essencial para ajudar a controlar os custos e para se concentrarem na obtenção dos resultados desejados.”

Ser bom a lidar com os clientes especialmente quando eles são difíceis, estar disposto a falhar e aprender com os erros, desejar e trabalhar a melhoria contínua, estar aberto e adaptar-se à mudança, trabalhar o crescimento pessoal e do grupo ou gerir bem os recursos financeiros podem ser algumas das características de uma PME de sucesso quando o meio ambiente onde uma organização está inserida, é estável e conhecido.

Contudo, num ambiente em que as interações são mais complexas e imprevisíveis, parece ser a simplicidade quem mais pode cativar cada um dos colaboradores de uma organização e clientes.

Construir confiança e empatia

Tomar decisões ou fazer escolhas (não são necessariamente a mesma coisa), torna-se cada vez mais difícil num ambiente onde o inesperado circula livremente e onde, as mais bem elaboradas previsões não conseguem minimizar essa dificuldade.

Onde existe instabilidade e velocidade na mudança pede-se simplicidade, por ser a única forma de rentabilizar o tempo e de criar harmonia no quotidiano de todas as partes interessadas.

Parece ser sensato dizer que nós queremos produtos simples, orientações simples, e queremos que as coisas funcionem de forma rápida e simples na primeira vez, sem muito esforço.

Assim, para poderem propor aquilo que as pessoas querem, as empresas, além de ouvir todas as partes interessadas, também precisam de conceber os seus produtos e serviços a partir da pesquisa nas necessidades e quereres do cliente.

Esta pesquisa é também uma fonte de confiança que se estabelece com o mercado.

Obter uma perspetiva diferente

Para se chegar à “simplicidade”, é preciso, muitas vezes, um trabalho árduo e complexo.

Provavelmente é fácil imaginar muitas situações simples que nós tivemos nas organizações e que vieram a tornar-se complexas por não refletirmos nas vantagens da simplicidade e, portanto, de mais difícil resolução depois dessa desatenção.

Quando observarmos uma palete, um contentor ou um jogo tipo lego, verificamos que todos estes objetos representam a simplicidade. São objetos que representam algo como acessibilidade económica, garantia de grande capacidade de realização da intenção da organização, capacidade de aglomeração e, portanto, escala ou facilidade de planeamento, o mesmo que dizer, previsibilidade de resultados.

Nas organizações, principalmente quando as equipas são interdisciplinares e a diversidade está presente, se o comportamento organizacional é simples deve manter-se simples, isto é, com resultados previsíveis, sem aumento de recursos, com boa capacidade de resposta e de fácil reorganização face à mudança.

Se, pelo contrário, procuramos gerir a complexidade das pessoas ou grupos de pessoas, devemos procurar saber onde está a ignição ou função principal, para aumentar a capacidade de realização ou para gerir conflitos resultantes da interação das as pessoas e com as coisas.

Estar consciente de si mesmo

Mas só porque eu sou capaz e isto funciona, não significa que eu vou ter de adicionar algo novo como se fosse necessária a novidade. Eu tenho de me centrar nas pessoas e perceber que não possuem todos os mesmos conhecimentos ou competências.

Antes de apresentarmos produtos e serviços aos consumidores e utilizadores devemos construir uma hierarquia de características sensata na nossa proposta de mercado para que os usuários não se distraiam com características e funções que não precisam ou não desejam. Afinal a maior parte dos objetos que utilizamos no quotidiano não são (ou não deveriam ser) jogos com elevado índice de dificuldade de execução ou com fortes características aditivas.

Do mesmo modo, para as pessoas que colaboram nas organizações, não devem ser construídas hierarquias pesadas e matriciais, de forma a simplificar a observação da autoridade e a facilitar os fluxos de comunicação.

“Simplicidade e complexidade precisam uma da outra. Quanto mais complexidade há no mercado, mais o que é mais simples se destaca. E porque a tecnologia só vai continuar a crescer em termos de complexidade, há um benefício económico claro na adoção de uma estratégia de simplicidade que ajudarão a colocar o seu produto à parte.” – John Maeda

 

 

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Nas organizações, os novos produtos, serviços inovadores, processos eficientes e eficazes, tecnologias disruptivas, modelos de negócios sustentáveis, etc., raramente acontecem por acaso! Tudo isso tem de ser pensado e desenhado!

A descoberta de oportunidades surpreendentes não se faz exclusivamente por serendipidade. Essa descoberta de oportunidades únicas é quase sempre o resultado de um trabalho criativo e de uma pesquisa consistente, orientada e centrada nas pessoas.

Sabemos que continua a ser uma grande preocupação que o insucesso empresarial seja muitas vezes o verdadeiro retorno dos esforços de inovação e dos respetivos investimentos. Na origem desse insucesso podem estar as más ideias, um número não suficiente de boas ideias, o apoio a ideias erradas, um modelo de negócio demasiado otimista ou com lacunas graves, a falta de capacidade de execução ou ainda a falta de preparação da liderança e dos colaboradores para o mercado presente.

A competência de usar espaços brancos

Muitas vezes, ou mesmo quase sempre, este insucesso está ligado à falta de visualização por parte da liderança de “espaços brancos”, onde, com a inserção de ações pertinentes, seria possível proporcionar um alívio na batalha contra as adversidades.

Um “espaço em branco” é um lugar onde um líder de uma organização pode descobrir oportunidades únicas. Quando um líder de uma organização consegue, para além de toda a atividade convencional e formal de gestão, utilizar eficazmente esse espaço em branco, ele está a criar uma ordem, que apesar de invisível, vai melhorar a legibilidade de qualquer intenção ou ação proposta.

Utilizar esse espaço em branco significa que não se está unicamente dependente de um conjunto de pessoas, representativo unicamente de um determinado volume de dados para análise.

É bom lembrar, que os dados representam o passado, o que nos conduz sempre ao que deve ser ou não feito e não ao que pode ser feito.

Este procura de “espaços em branco” pode ser usado para identificar mercados inteiramente novos, ou pode tão só, ser usado para mapear inovação incremental em produtos ou serviços na nossa organização.

É certo que, quando nós respondemos ao apelo de um espaço em branco, se apodera de nós um sentimento dramático, que nos tira da rotina e dos preconceitos da cartilha da liderança, mas que por outro lado se pode transformar em paixão e energia, à medida que visualizamos o caminho do sucesso.

Por força desse apelo, somos desafiados, enquanto lideres, a tomar consciência dos nossos ambientes (espaços brancos e preenchidos a negro), tanto internos como externos, e a repensar as formas de controlo bem como a assumir uma atitude de abertura e colaboração.

Focos distintos, mas complementares

Seja numa organização pequena ou numa de grande dimensão (qualquer que seja a métrica usada) um líder talentoso vai encontrar sempre três focos distintos para liderar.

Ao procurar espaço para desenvolver o seu talento enquanto líder e, portanto, ao procurar desvendar os caminhos para o desenvolvimento da sua organização, um líder ao leme de uma equipa ou de grupo, é sempre confrontado com o seu mercado.

Quer isto dizer que o seu o foco está em encontrar as lacunas existentes nos mercados, nos produtos ou nos serviços, que possam representar oportunidades para criar modelos de negócio (melhorias a propor ou vazios a preencher).

Procura-se assim, sobretudo, uma aproximação ao desconhecido ou oculto através de um processo centrado nas pessoas. Aqui também as necessidades não articuladas dos clientes da organização podem representar uma lacuna a preencher.

Um outro foco, dirigido para a dimensão interna da organização, vai permitir não só, identificar as capacidades da organização para lidar com novas oportunidades ou enfrentar algumas ameaças, como também identificar os espaços em branco nas competências dos colaboradores e da liderança.

Quando apontamos o foco para nós mesmos, devemos estar conscientes que alguns dos nossos medos mais profundos possivelmente começam a emergir e teremos, então, de os transformar em alavancas para o sucesso. As pessoas tendem a procurar mostrar-se competentes mesmo reconhecendo falta de competências em alguns domínios.

Finalmente quando procuramos focar o futuro, entramos no caminho da prospetiva na estratégia. “No nosso entender a metodologia prospetiva é fundamental para fornecer e sistematizar as visões de futuro, sob a forma de cenários, e assim fornecer ao decisor os elementos fundamentais e os futuros possíveis, aceitáveis, razoáveis ou plausíveis em função das decisões do presente…”

O nosso ponto de partida

Quando se fala de futuro ou de prospetiva o nosso ponto de partida pode variar muito, desde um perfil mais analítico até ao do sonhador ou visionário.

Resta-nos então identificar qual o nosso ponto de partida, qual o nosso espaço em branco, como o preenchemos e onde queremos chegar.

 

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