From the monthly archives: Maio 2013

Adotar modelos em vez de criar

Ter uma alta qualidade de vida não significa necessariamente ser um consumidor habilidosamente manipulado pelos fornecedores de produtos e serviços que nos rodeiam.

Nós precisamos de criar um clima mental que transforme a preocupação com riqueza material em preocupação com o bem-estar real.

Quando falamos de “um estado de espírito” (mindset) falamos de uma combinação de atitudes, pressupostos e crenças que qualquer pessoa transporta consigo e que determina as suas escolhas.

Dependendo do resultado dessa combinação eu posso querer uma vida cheia de objetos que alimentam a minha liberdade para escolher e dedicar o meu tempo ao exercício de multitarefas entre as muitas opções possíveis à minha disposição.

Neste caso, eu tenho liberdade de escolha, porque posso comprar, depois de escolher entre as várias opções que me são mostradas e de acordo com o tempo que eu tenho à minha disposição!

Mas se essa combinação me leva a fazer mais coisas, como por exemplo experimentar produzir, na minha horta, frutos de cores não habituais no mercado ou participar na implementação de um serviço de assistência a idosos, eu vou encontrar constrangimentos e só a criação de alternativas poderá satisfazer as minhas necessidades e quereres.

Para que a nossa vida seja mais eficaz e inventiva e de adaptação às exigências das mudanças de hoje, a nossa mentalidade tem que estar no lugar certo e esse lugar é na frente da exploração, da descoberta e da criatividade.

Nós temos que fazer mais do que apenas olhar para os problemas que são mostrados pela comunicação social e com um pensamento crítico ativo devemos encontrar uma maneira sustentada de pensar e de perceber o mundo e os desafios que esse mundo nos coloca, valorizando-os e procurando a constante melhoria das situações.

Se for persistente a nossa vontade, como pessoas criativas que somos, de abraçar novas ideias e de caminhar em direção a novas experiências indo à procura de interesses com significado, então a nossa mentalidade passa a ser criadora e inovadora.

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“As pessoas criativas diferem umas das outras de muitas maneiras, mas num aspeto são idênticas: todos eles amam o que fazem. Não é a esperança de alcançar a fama ou a ganhar dinheiro, que as guia, e sim, a oportunidade de fazer o trabalho que gostam de fazer.”Mihaly Csikszentmihalyi

Alguns de nós possivelmente ainda somos potenciais criativos, uns rebuscando as melhores sementes e imaginando o lugar ideal para as semear, outros já com paixão ao ver florescer as suas ideias e a assistir à criação de frutos verdadeiramente desejáveis, mas todos começaram por acreditar em pequenos desafios como é esse de lançar uma semente à terra.

É a hora de experimentar nas organizações!

É verdade! Pouco a pouco, no nosso dia-a-dia, podemos construir, através da experimentação de pequenas coisas novas, uma paixão por querer fazer melhor e com propósito.

Mesmo assim, a oferta de produtos e serviços, a que hoje estamos sujeitos é, tão avassaladora que muitas das coisas com que somos confrontados, rapidamente deixa de ter significado, mesmo como experiência.

“Os tipos de visões que levam a modelos de negócio que vale a pena explorar, não começam com propostas de valor ou de segmentos de clientes. Eles começam com o imaginar um par importante de experiências.” – Peter Friedman

As boas e as más ideias, as boas e as más experiências podem ser úteis para imaginar um futuro risonho para muitas empresas, mas muitas vezes a imaginação é repentinamente bloqueada por medos ou por desconhecimento.

Essa falta de conhecimento e esse medo favorecem a adoção de modelos de negócio “prontos a consumir”, e desviam toda a criatividade e inspiração para o preenchimento de desses mapas pré-estabelecidos.

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Pensamento integrativo e atitudes

Aprender a desenvolver o trabalho de forma colaborativa em equipas interdisciplinares é uma atividade que resulta da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente.

Muitas vezes são notórias as diferenças de atitude entre as pessoas para construir um modelo que satisfaça os desejos e interesses dos membros das equipas que se dispõem a trabalhar de forma voluntária e colaborativa.

Colaborar não é uma simples consequência de uma afirmação. Não basta dizer que se quer. É preciso ter coragem!

Colaborar requer uma atitude diferente que é, ir além dos estudos de casos ou de trocas de boas práticas. Os negócios, face às exigências da constante torrente de mudança, não podem contentar-se em transferir uma solução de uma empresa para outra.

Colaborar e abarcar a complexidade que cada vez maior que as empresas enfrentam é um destino que as pessoas, que abraçam a interdisciplinaridade e que não têm medo de estar erradas, desejam.

As equipas interdisciplinares têm o potencial para uma maior criatividade nas organizações.

Quando imbuídas de pensamento crítico, as equipas interdisciplinares produzem trabalho criativo, e os seus membros podem ativamente de exprimir as suas ideias sem medo de interferir com as relações interpessoais, mesmo que isso signifique ter que ser assertivo com perspetivas dissidentes, mas defendendo a mudança e a melhoria das coisas.

Os conflitos devem ser vistos como oportunidades para alavancar atividades criativas. De facto, os nossos sentimentos “negativos” podem fornecer um sinal de que algo não está bem e dessa forma proporcionar a procura persistente de respostas criativas para o descontentamento que se verificou.

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Compreender os diferentes pontos de vista e as razões de descontentamento ou insatisfação das pessoas, quer sejam membros da equipa ou utilizadores é fundamental para encontrar a solução que se encaixa cirurgicamente nos problemas definidos.

Agora, imagine que consegue mostrar no seu trabalho empatia, pensamento integrativo, otimismo, vontade de experimentar e colaboração.

Estar em sintonia com o mundo interior de outra pessoa leva a uma compreensão mais profunda e a um grande desenvolvimento de competências interpessoais que nos permitem reproduzir algumas emoções detetadas nos outros e com isso, ter uma sensação instantânea de experiência partilhada.

Colaborar com outras pessoas implica frequentemente ter de encarar modelos opostos, mas não significa ter de abdicar do nosso em benefício do outro ou vice-versa. Pelo contrário significa escolher os pontos mais relevantes, verificar que tipos de relações existem entre eles, construir um novo modelo e decidir como resolver o problema.

Pensar de forma integrativa, é encarar de forma construtiva as tensões de modelos opostos, e em vez de escolhermos um em detrimento do outro, devemos gerar uma resolução criativa, que contém elementos dos modelos individuais, mas é superior a cada um deles.

O pensamento integrativo é uma “competência” fundamental para um trabalho interdisciplinar. Conhecer as pessoas, criar empatia e observar comportamentos e atitudes, faz parte de um processo colaborativo e de mente aberta que não se consegue sem uma boa dose de coragem.

É por isso que na base da criação de uma cultura de colaboração está também criação de uma cultura coragem e que não é apenas tornar as pessoas destemidas para falar em público, mas sim, criar as condições nas quais as pessoas corajosas possam corealizar os seus projetos.

Essas condições são de integridade, confiança e tolerância para assumir riscos. A integridade é a raiz de confiança, que é o combustível para a colaboração.

Ficam aqui estas questões:

Até que ponto as diferentes experiências pessoais são condicionantes da partilha de conhecimento?

Coragem e otimismo, não são competências inatas mas até que ponto contribuem para um estado de mente aberta e colaboração?

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O nível de crescimento individual

Em inovação o consumo ainda é um aspeto importante mas já não é o aspeto mais importante.

Um pouco por todo o lado, ainda vemos resíduos da era industrial no que diz respeito ao consumo mas tudo indica que a transformação necessária em direção ao propósito e ao significado está já a dar-se.

Nós precisamos de repensar o que entendemos por qualidade de vida e inovar os estilos que poderão existir dentro de cada contexto economicamente renovado. O conceito de valor precisa ser reapreciado acrescentando significado e pertinência ao bem-estar e prosperidade das pessoas.

Por exemplo, não podemos desejar que a economia evolua através da criação de emprego em segurança pessoal porque os assaltos e agressões nas cidades aumentaram. Precisamos que a economia evolua, criando sistemas que facilitem o enriquecimento de contextos territoriais de forma sustentável.

Todos nós temos um interior inovador, empreendedor ou artista, mas falta-nos quase sempre acreditar que somos capazes de libertar esse potencial.

Nós temos que repensar e inovar algumas das nossas atividades sociais básicas, como saúde (longevidade e cuidados), educação (distância e diversidade), transporte (mobilidade e globalização) e até mesmo o nosso estilo de vida, isto é, precisamos de uma abordagem baseada nas pessoas e na sociedade e orientada para as pessoas.

Cada contexto representa um novo desafio e tem dentro de si um potencial de transformação do valor económico tradicional (mercados) em valor situacional e temporalmente válido ao nível pessoal, social ou global.

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A nível pessoal, dada a tendência de crescimento pessoal e transformação, o valor econômico será cada vez mais definido, não em termos de consumo, mas em termos da entrega de transformação propriamente dito. Valor econômico pessoal será menos sobre o ato de consumir e mais sobre o ato de transformação, à medida que as pessoas individualmente e coletivamente coisas que os ajudem a crescer, experimentar e transformar…

A nível social, a capacidade das tecnologias de ambientes para entregar sistemas mais contextualizado e distribuídos, baseados em e à volta dos utilizadores de usuários e lidar com questões como saúde, doença e cuidados, irá gerar valor econômico.”

A libertação do nosso potencial criativo em ambientes de diversidade parece ser agora mais fácil face ao encontro de culturas, comportamentos e credos que emergem nas comunidades que se desenvolvem por todo o mundo.

Já não existe uma única verdade passível de exportação para o mundo desconhecido e o número de confrontos que as diferentes pessoas, grupos ou comunidades fazem emergir alavancam o pensamento crítico e fazem colidir as velhas ideias dando lugar a novas ideias mais centradas nas pessoas, novas soluções para problemas mais pertinentes e contingenciais.

Hoje, há muitos tipos de pessoas, com diferentes tipos de vidas com formas variadas.

As necessidades ocultas das pessoas começam a tornar-se mais visíveis e as necessidades não articuladas começam a definir formas. Isto quer dizer que as pessoas criam espaço para refletir e redimensionar o seu mundo e não se prendem apenas com a satisfação imediata que os bens de consumo prometem.

Quer dizer também que a maior liberdade para escolher, não se resume à grande oferta de produtos e serviços e vai também no caminho de uma maior consciência, fruto de uma maior complexidade e maior responsabilidade.

As organizações, também elas, ou quem as dirige, têm agora mais campo para refletir sobe a competitividade e sustentabilidade. O conhecimento da diversidade e o seu enquadramento nas preocupações das suas atividades alavancam novas possibilidades e oportunidades.

Então, existe lugar para a diferenciação e para trilhar o caminho das propostas de bem-estar.

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